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A Crise e a experiência

A Crise e a experiência
Vivemos, hoje, em um mundo conturbado e pela manhã ao abrir os jornais, televisão, rádio só se vê falar em crise.
Diz o renomado Professor Fabio Konder Comparato sobre crise: “vocábulo crise tem sido tão desgastado pelo uso e o abuso, que tende hoje a se confundir com a própria banalidade estatística. Qualquer acidente de percurso ou quebra de regularidade qualifica-se como crise.”
O fato é que seja qual for o melhor conceito ela está aí cada vez mais presente e nossa atenção é voltada para as suas conseqüências e seu enfrentamento.
Qual a receita? Se cada uma com sua natureza específica exige um tipo de equacionamento, não há como elaborar um manual para solução de crises.
Por isto, entendo que um pré-requisito é a experiência de vida do condutor do processo.
Vejamos no momento do atual no nosso país.
O povo foi às ruas. E não adianta querer demonstrar estatisticamente se a multidão que cada um estima segundo sua vontade própria, se foi cinco mil pessoas, 60mil, 10mil ou dois mil e que proporcionalmente à população total de duzentos milhões não tem nenhum significado representativo, porque tem, é inquestionável. Por isso a estatística é baseada em amostragens. O importante é o porquê esse povo foi às ruas. Não podemos nos pontuar em questões específicas, nas placas levantadas, porque nessas estão muitas das vezes reivindicações oportunistas, assim
como na inocência infantil, uma criança levantava no meio daquela massa humana, uma plaquinha “eu quero uma bicicleta.” E a maioria dos manifestantes era impulsionada por algo interior que nem mesmo saberia definir, mas se sentia obrigada a se juntar àqueles protestos tão alucinantes, porque se sente incomodada. O grau de desconhecimento sobre as reivindicações é que aquela mega reunião iniciada por aumento de tarifas passou a ser recheada de outros itens. Os membros do Ministério Publico aproveitaram para inserir as placas referentes à PEC 37 que passou a ser ponto de honra para os manifestantes. Mas uma quantidade imensa de protestantes se perguntado o que era a PEC 37 só saberia dizer que é uma depois da 36. E os policiais se esqueceram de inserir a placa da PEC 300 que dá paridade de vencimentos com procuradores em todo país; e pelo absurdo se o PCC inserisse uma placa referente à uma legislação que beneficiasse o banditismo poderia ser inconscientemente uma reivindicação das massas.
Aí está o perigo do açodamento em busca de solucionar aquele tumultuoso movimento.
O Governo vem à publico dando vivas à população por sua atitude e se dizendo absorvido pelo apelo às soluções para problemas que está cansado de conhecer e que não soluciona por má gestão. Mas prometendo que vai solucionar, inclusive mandando comprar a bicicleta do menino, acha que está de bem novamente.
O Congresso desengaveta projetos que não se encontravam em condições de ser votados por não ter tido sua tramitação completa e aprova ou rejeita para atender ao que estaria escrito nas placas. E terminada essa lista, está de bem com o povo e pode entrar em recesso, e cada congressista que exerceu o seu voto naquelas sessões pode estufar o peito como um grande guerreiro que retorna á casa após uma grande vitória. Mas e o que não estava escrito nas placas? Fará parte de projetos que ficaram nas gavetas?
O Judiciário corre para mandar prender um deputado que já estava condenado há mais de ano, porque havia placa exigindo ofensiva contra a corrupção. E porque não fez antes?
Nessa volúpia em busca de atendimento ao desespero popular, vem a Presidente em publico e apresenta uma proposta de consultar o povo por meio de plebiscito para a elaboração de lei referente à reforma política. Um instituto que deve ser reservado para questões temáticas de interesse do país é usado para descredenciar o Congresso Nacional de sua missão de legislar. Passamos para o regime da democracia direta e não representativa. E tudo cantado em prosa e verso como sendo uma homenagem ao povo que tem o direito de decidir o que é melhor para o país.
E se isto caminhar para a banalidade e o Congresso decidir determinar o plebiscito para o povo decidir se o numero de ministros é demasiado? E se a consulta for também para saber se o governo deve mandar vender o helicóptero que atende ao Presidente, se deve proibir a Presidente de viajar para o exterior ou mesmo decidir quais as estradas que devem ser construídas ou até decidir sobre o orçamento? Onde vamos parar?
Se adotamos o regime democrático representativo temos que nos curvar às suas normas e respeitar seus ditames.
Se o regime é presidencialista, e isto já está decidido, temos que respeitar seus princípios.
E o povo deve isto sim, antes de ir para as ruas para manifestação reivindicatória desordenada não se apresentar nas urnas, nas eleições, da mesma forma que freqüenta um estádio de futebol torcendo por seu time, mas sabendo escolher bons candidatos para a missão de governar o país, seja no Executivo ou no Legislativo e através deles exercer seu direito de reivindicar por dias melhores para o nosso país, sem egoísmo e com o pensamento voltado para o bem geral.
Não podemos deixar de relembrar uma história já contada e recontada, mas que não pode ser esquecida, para que não tenhamos nosso comportamento pautado pela chamada “Lei de Gerson”. Refiro-me à adaptação de Niemöller de um célebre poema de Vladimir Maiakovski “E Não Sobrou Ninguém” tratando sobre o significado do Nazismo na Alemanha: “Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”
Pensem bem…..

Leia mais: http://www.dohargreaves.com.br/

Excelentes as matérias postadas

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