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Psicologia das massas e eleições

Dentre as personalidades com  quem  tive oportunidade de conviver, destaco com muito orgulho o Vice Presidente, Ministro e atual Acadêmico Marco Maciel. Com ele, aprendi os valores do comedimento, da ponderação, da isenção no raciocínio das questões politicas e saber dosar o emocional quando for necessário. Lembro-me ainda que um seu  livro de cabeçeira  era o intitulado  ” Psicologia das Massas” de autoria de um francês, cujo nome não me recordo com  precisão, embora me arrisque a dizer que se tratava de um sociólogo,  Gustave Le Bon (1886),  que foi um dos primeiros a tratar do assunto.

E sou levado a esta lembrança porque nunca foi tão importante esses predicados como agora, no momento em que vivemos a vida politica no país.  Nunca foi tão exigido a real compreensão dos postulados desse pensador. E fui buscar um pequeno trecho  em Psicologia das Massas (Psychologie des foules) em que Le Bon  explica que ” quando o homem se junta à massa perde sua identidade mental e assume a identidade do todo. Regressa a um estado primitivo de pensar e agir, perde sua capacidade crítica .Em meio a multidão, as pessoas perdem seus padrões morais e suas inibições, tornando-se extremamente emotivas, e este emocionalismo acaba fazendo com que ela se torne irracional. “

Significa dizer que as manifestações que assistimos no nosso país, recentemente, trazia de tudo em seu bojo, pessoas que externavam suas decepções, suas frustações, as que desaguavam a sua revolta pela falta de atendimento às suas necessidades básicas, as que exercitavam a sua militãncia politica,as que aproveitavam  o ensejo para o exercicio do direito de cidadania para se manifestar, as que se juntaram ao movimento porque não tinham nada para fazer no momento e ali estavam como num evento social e os que, lamentavelmente lá estavam para delinquir.

O que tem tudo isto a ver com os postulados de Le Bon? Tem a ver  pelas consequencias e pela forma com que repercutiram em todos os setores da sociedade.

O governo se movimentou com grande alarde para atender às reclamações evidentemente movido pela receio do desgaste político eleitoral, pois, tratavam-se de temas e precariedades por demais conhecidos, com soluções que passaram a ser apressadamente apresentadas mas  que já poderiam  e deveriam ser equacionadas como uma forma natural de governar e não movidas por pressão das massas.

No Congresso, os parlamentares esbaforidos abriram as gavetas para votar de qualquer forma, mesmo sem o estudo exigido para a edição de regras que vão influir decisivamente na vida das pessoas, porque faziam parte das reclamações das massas.Adentraram às madrugadas ( como não se fazia há muito tempo) para esgotar a pauta  ( de grande interesse do povo !!!) porque tratavam-se de projetos constantes dasa placas mostradas nas passeatas. Um senador dando mostras da motivação desse esforço concentrado, chegou a reclamar contra a inclusão na pauta do projeto que extinguia um suplente e proibia o parentesco na chapa, dizendo que isto não foi pedido pelo povo!!!

Ledo engano… Que as questões deveriam ser equacionadas, não há nenhuma duvida. Que o Parlamento deveria ter tratado não só daqueles assuntos, mas tambem de outros tão ou mais importantes, não há tambem como duvidar. Mas que essas providências vão repercutir nas eleições é de uma ingenuidade que não se admite existir na mente desses personagens.

No meu entender, e não confunda como o” meu querer”, pois procuro fazer análise isenta, como um documentário, a Presidente Dilma ainda é uma candidata favorita no pleito de 2014. A queda apontada nas pesquisas não tem maior significado eleitoral, porque os seus possíveis adversários não registraram nenhuma subida . A  movimentação das ruas não eram a favor de ninguem. Eram contra todos. Prova maior está em que nenhum integrante da classe politica ou do governo se atreveu a participar do movimento, pois não quiz correr o risco de ser  escorraçado.

Analisando o tabuleiro político podemos dividir três universos ideológicos. A chamada classe alta, constituida pelos empresários, banqueiros e alta renda, tem como ideologia o lucro. Se o sistema atende aos seus bons resultados é um aliado. Não importa se é do PSDB, do PMDB, do PT ou quem quer que seja. Houve um momento que se apavarova com a ideia do PT assumir o governo, mas depois de Lula tudo mudou.

Temos a classe média, esta sim, se posiciona em favor da qualidade de vida e tambem ideologicamente. Há ainda a predileção no que se refere aos partidos.

E a base, chamada de baixa renda, a sua ideologia é o populismo, é o clientelismo. È a bolsa família, e a bolsa escola, todas as bolsas enfim. Em princípio a favor do dono do cofre, ou seja o Governo, desde que banque os programas sociais. E nesse caso, tambem independe a sigla partidária. Em 2006 , estando em Minas Gerais, participei da campanha de Geraldo Alckmin e nos grotões, nos encontros comunitários, faziamos a apresentação do candidato, seu currículo, sua trajetória, eramos respeitados, aplaudidos pelas propostas, mas no final ouvíamos dos participantes: “É, o moço é muito bom e deve se competente, mas preferimos ficar com o Lula que a gente já conhece…e ele nos dá a bolsa familia.” E mais, votaram a favor da reeleição do Governador Aecio Neves do PSDB e do candidato a Senador Eliseu Rezende do DEM da chapa oficial, mas para Presidente era Lula.Em Juiz de Fora, terra de Itamar Franco elegeram-se ele próprio  e Aecio Neves para o Senado, Anastasia para Governador e Dilma para Presidente.

Em suma, hoje, não há como tirar ilações em face das pesquisas publicadas, pois essas refletem um momento. Não tive oportunidade de examinar o detalhamento dessas. Mas é preciso ver onde foram feitas. Qual a faixa mais pesquisada. Se foi predominantemente na classe média, na alta ou na baixa.

Em dezembro próximo  os institutos poderão apresentar um resultado completamente diferente.

Mas, anotem: se  ocorrer uma queda constante dos indices da Presidente teremos uma dezena de candidatos. Caso contrário, os mais previsíveis, hoje, talvez não se aventurem.

Há ainda um detalhe que possa passar despercebido.  A mira é sobre o que possa acontecer de desgaste para Dilma,  mas há tambem a possibilidade de surgimento,  no curso da campanha, ou mesmo antes, de fatos que desestabilizem os seus possíveis adversários. Como diz o peão lá nos nossos rincões:” os raio que cai aqui pode cair lá tamem…”

É pagar para ver…

Excelentes as matérias postadas

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