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VALE A PENA VER…..

No repouso forçado do carnaval, procurei ler alguns anais políticos para entender melhor a evolução política do nosso pais, se é que a tenha.

E nessa busca deparei com o discurso de Tancredo Neves, ex Ministro de Getulio Vargas que faz um análise geral dos acontecimentos que precederam ao suicídio do ex-Presidente. Em seu extenso pronunciamento focaliza os fatos que embasaram o propósito e a pregação do impeachment de Vargas, que ao invés de enfrentar seu afastamento preferiu se matar. Nesse trecho, dizia Tancredo:

“ Mas, ainda que ficasse provada a maior corrupção nas atividades desse empregado subalterno do Presidente, ainda que ficasse provada a conivência do governo com o crime da rua Tonelero, existiriam meios democráticos e legais de coibir o crime e punir os culpados. Em outras terras, em países que escapam ao epíteto de Banana Republic, a que hoje fazemos inteiramente jus, que se faz se ocorre uma circunstância semelhante? Há exemplos recentes que ilustram assazmente o assunto. Durante o governo Truman, nos Estados Unidos, houve o escândalo dos chamados five percenters, figurões do mundo oficial que recebiam 5% dos grandes e vultosos contratos firmados por companhias particulares com o governo americano, em pagamento de uma advocacia administrativa em favor dos proponentes. A própria esposa do presidente da República foi acusada de receber valiosos presentes para agir em favor dos que pleiteavam contratos com o governo. Houve inquéritos, apurou-se o assunto, condenou-se a quem de direito. A campanha presidencial de Eisenhower se aproveitou muito desse escândalo, fazendo da luta contra a corrupção um dos seus principais slogans. “

 Mais adiante:

 Como último e desesperado recurso, promoveram os seus inimigos o processo constitucional do impeachment. Aí, no terreno seguro dos meios democráticos, Getúlio Vargas infligiu aos seus adversários calamitosa e desalentadora derrota, com os próprios deputados do partido oposicionista votando contra o descabelado processo de impeachment.Justamente quando as forças oposicionistas amargavam essa derrota definitiva, quando lavrava nos seus arraiais a desunião, e quando os seus líderes se recriminavam mutuamente pelo revés sofrido, quando a figura do Presidente da República mais se agigantava no meio da sanha odienta de seus inimigos, eis que a fatalidade lhes oferece o esperado butim, consubstanciado no lamentável atentado em que pereceu um oficial das nossas Forças Armadas. Agarraram-se os mentores da campanha contra Getúlio Vargas ao cadáver do major Vaz com a fúria desesperada do náufrago que depara com a derradeira tábua de salvação. Figuras corvinas de grandes líderes não deixaram um só minuto a alça do esquife mortuário do infortunado oficial, na sofreguidão mal contida do assalto ao poder. Não é preciso lembrar aqui o que foram os vinte dias subsequentes ao atentado. Está na mente de todos nós a orgia histérica de certa imprensa, que mal escondia o seu júbilo, a sua alegria neurótica nas dobras do crepe funerário das lamentações. “Afinal o grande pretexto”, era o que se lia nas entrelinhas das manchetes sensacionalistas. De nada valeu a serenidade do grande Presidente, que na segurança da mais completa inocência, concedeu todas as facilidades para a apuração do crime, entregou as investigações àqueles que mais se encarniçavam em inculpá-lo e abriu as próprias portas de sua residência oficial ao torvo Santo Ofício da conspiração. Antes de entrar na análise desses inglórios acontecimentos é justo indagar: onde está a origem desse estranho rancor, desse ódio invencível, dessa incansável atividade contra o governo de Vargas, legitimamente constituído? Dois objetivos supremos guiaram toda a vida pública de Getúlio Vargas: redenção das massas trabalhadoras e nacionalismo econômico. “

 Interessante….

O Presidente do PSDB afirma que ” não é crime falar em impeachment, ms que o afastamento não está em pauta..” ao mesmo tempo o lider do partido no Senado convoca o povo para manifestação nesse sentido..”

Será coincidência com o passado?  O que diria Tancredo?

Mas Tancredo enfrentava um partido de oposição que sabia atuar, composto de ilustres componentes,  de alto saber jurídico,  e que não se aventurava de forma irresponsável, sob pena de cair no descrédito da sociedade. Era a União Democrática Nacional, que dificilmente tinha algum de seus membros envolvidos em ilicitudes. Antes de tomar alguma atitude avaliava o objetivo em todos os sentidos.

Que oposição tem, no momento, a Presidente Dilma? Após sua eleição em 2010, assistimos, no Senado, atuando como único Líder oposicionista, isolado, o Ex Presidente Itamar Franco, com 80 anos de idade. Os demais posando para as câmaras dos paparazzi e de vez em quando ocupando a tribuna para discursos bombásticos para uma ” galera” especialmente convidada.

Hoje, sem Itamar, não vimos,  até o momento, nenhuma atuação eficiente e bem direcionada.

A grande bandeira, hoje, é a palavra mágica: Impeachment.

E antes que caiam no ridículo, vale a pena estudar e concluir que nenhuma acusação formal e concreta contra a Presidente foi apontada e o remédio constitucional contra o mal desempenho de um governo não é o impedimento, é a eleição de quatro em quatro anos. Não cabe nenhuma medida jurídica como um impeachment contra a Presidente porque o seu governo está de mal a pior. E não se pode esquecer que em apenas 120 dias atrás mais de cinquenta por cento da população a elegeu. Pelo menos, em tese, teríamos que ver  o apoio desse numero de brasileiros com  legitimidade para propor a utilização desse instituto constitucional.

Não  estou defendendo a Presidente ou tomando partido.   Apenas alerto  aos senhores Lideres partidários para que assumam suas responsabilidades perante o povo que os elege, de maneira clara e objetiva e sem peripécias indignas dessa missão.

   

Excelentes as matérias postadas

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