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CASA CIVIL

Miami, dezembro de 1994 – Reunião da Cúpula das Américas. Fernando Henrique Cardoso já eleito foi convidado por Itamar Franco, Presidente da Republica, para integrar a representação brasileira, no evento.

Em conversa informal na ante sala da suíte presidencial estávamos os três, quando Fernando Henrique se dirigiu a mim e me perguntou qual a minha avaliação sobre o perfil ideal para o ocupante do cargo de titular da Casa Civil.

Disse-lhe, em resposta, que deveria ser uma pessoa da extrema confiança do Presidente da Republica, melhor ainda se fosse um fraterno amigo, conhecedor profundo do funcionamento do Congresso Nacional, com total traquejo no trato com os políticos, com bom conhecimento da administração e do funcionamento da máquina pública, sem vinculação político-partidária e sem projeto politico pessoal.

Ele, pensativo, me replicou, dizendo que era muito difícil reunir todos esses predicados, com o que eu concordei, mas que não era tarefa impossível, pois no Brasil temos quadros excelentes disponíveis.

Disse-lhe mais, que se não pudesse realmente contar com esse perfil, seria fundamental que o seu escolhido não tivesse, pelo menos, a vinculação partidária e o projeto politico pessoal, que inviabilizam totalmente um bom relacionamento parlamentar e obtenção da base aliada.

Como exemplo cito alguns nomes que ocuparam o posto, sem essa aresta, Lourival Fontes (Getúlio) Pereira Lira (Dutra) Dr Oswaldo Penido, Penido, Sette Câmara, Alvaro Lins, Vitor Nunes Leal (JK), Evandro Lins (Jango) (Golbery Leitão de Abreu (Gov. Militar) José Hugo Castelo Branco, Ronaldo Costa Couto (Sarney), Tarcísio Cunha e eu mesmo (Itamar Franco), Clovis Carvalho e Pedro Parente (FHC) sem maiores conflitos ou questionamentos porque nenhum de nós constituía qualquer risco aos interesses maiores de suas excelências.

 Em contra ponto, políticos militantes, como Monteiro de Castro (Café Filho) Quintanilha Ribeiro (Jânio Quadros), Hermes Lima, Darcy Ribeiro (Jango), Rondon Pacheco e Luiz Viana (Governo Militar), José Dirceu, Dilma Roussef, Antônio Palocci, Gleisi Hoffmann e Aloizio Mercadante, Lula e Dilma) encontraram e encontram dificuldades no exercício da função, apesar da qualificação inquestionável que possuem.

Qual a razão dessa diferença de comportamento da classe politica em relação aos titulares dessa pasta que nem chega a ser executiva por não gerir orçamento?

A proximidade com a Presidência da Republica e a coordenação da administração federal na pessoa de um concorrente partidário, com projetos políticos pessoais, impedem completamente a aceitação mansa e pacífica, por parte dos integrantes do próprio partido a que pertença o Ministro e mais ainda dos integrantes das outras bancadas partidárias.

 Se na Casa Civil está quem não tem um mínimo interesse político pessoal ou partidário, mas apenas garantir a governabilidade e a tranquilidade de gestão do Presidente, toda a comunidade politica o tem como um aliado importante e não como um adversário.

Entretanto, os interesses partidários tornam os políticos cegos, mudos e surdos, quando deveriam raciocinar. Para eles só existe o próprio umbigo. É a única coisa que lhes importa. E, ao invés de proporcionar ao Chefe do Governo uma tranquilidade para a escolha e montagem de sua equipe, contrariamente, pressionam, chantageiam e praticamente impedem uma gestão eficaz para o bem do próprio país.

Hoje, vejo na Casa Civil da Presidência da Republica, um dos melhores quadros do nosso cenário, Aloizio Mercadante. Nascido em berço digno, contou com uma criação dentro dos mais elevados princípios morais e éticos, boa formação acadêmica, vasta experiência politica, mas, correndo o risco de ver seu currículo atropelado pelo fogo amigo por parte de uma das correntes internas do PT e principalmente do PMDB insaciável e indomável que deseja vê-lo nos quintos, mas não onde está.

Poderia a Presidenta contar com sua participação em qualquer Pasta, competência não lhe falta, menos na Casa Civil, onde a eficiência assusta.

Recentemente, fui ao Palácio do Planalto, em uma cerimônia, convidado que fui pelo meu amigo fraterno e competentíssimo Guilherme Afif Domingos que lançava um belo programa de desburocratização. Como sempre brilhou, recebendo o apoio de todos e saudado por sua simpatia e capacidade de trabalho. É partidário, sim, pertence ao PSD, sigla que até o momento não assusta os dois partidões. Pensei então, porque não o Afif na Casa Civil? Terá um trânsito tranquilo e será um mar de rosas, mas até o momento em que o seu partido cresça ou alguém lhe venha a imputar um projeto de uma candidatura, momento em que será o alvo do maior tiroteio já visto.

Tivesse eu, acesso direto com a Presidenta (como gosta de ser chamada) lhe diria, aproveite o Mercadante em todos os Ministérios, menos na Casa Civil e nomeie em seu lugar quem seja da sua confiança, mas não tenha militância partidária nem projeto político e depois me conta se deu certo….

3 respostas »

  1. HARGREAVES, adorei seu comentário, vc. foi justo e muito honesto, não nagou seu berço, sua indole, sua capacidade, enfim um HOMEM DIGNISSIMO… tenho a mesma opinião que vc. a respeito do MERCADANTE, está em lugar errado e sob fogo cerrado!! meu abraço, saudades

    • Obrigado pela participação e seu comentário. Espero encontrá-la sempre por aqui. De fato o Aloysio filho de militar, meu amigo General de Exercito Oswaldo Muniz Oliva e tem também o seu irmão agora, como o pai, no mesmo posto, teve uma boa formação e é um profissional competente. É uma pena que no nosso país as coisas sejam assim. Abs

  2. Amigo Hargreaves.
    Gostei muito do seu comentário traçando perfil necessário de um ocupante da casa civil. Muitos governos por falta de base politica colocaram no cargo pessoas que não se enquadravam no perfil descrito por você.
    Abraços

Excelentes as matérias postadas

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