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SER MÃE …..

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. ( Pequeno Príncipe” de  Antoine de Saint-Exupéry

Na proximidade das comemorações do “Dia das Mães” no mês de maio próximo recordei de algumas experiências profissionais que gostaria de dividir com os visitantes de nosso site.

Em minha caminhada no ramo jurídico, mais especificamente na área de família, deparei com um tema que dominava as ações e reações dentre, principalmente as mulheres. Trata-se da maternidade.

Não foram poucas as mulheres que evitavam uma separação, mesmo integrando um casamento já bastante desgastado, unicamente pelo desejo de ser mãe. É que, em alguns casos o avanço da idade ameaçava a pretensão e a mãe solteira não era vista com a naturalidade que deveria ocorrer. Com isto, algumas uniões se prolongavam até que ocorresse uma gravidez imprevista, como tábua de salvação. Aí sim, aquele desgaste já presente deixava de ter um ingrediente inibitório que, antes, impedia a consumação de um divorcio, mas, não raras vezes, a chegada do seu príncipe dava uma nova feição à família.

Mas, dentro do aspecto exclusivamente profissional, sem deixar me envolver no mérito da questão passei a analisar os dois componentes da relação: o casamento e a maternidade. Qual dos dois tem o maior peso.

Tive em mãos um processo de divorcio bastante curioso. Ambos declaravam a presença do amor, mas, não podiam continuar a relação em face de um deles, o marido não desejar filhos e a esposa sim, não abria mão da maternidade. Em outra situação a esposa não desejava gerar um filho ao passo que o marido não abria mão de um seu herdeiro.

As discussões em ambos os casos chegavam às vezes à beira do ridículo, pelas razões enfocadas, mas quando se tratava do desejo intocável da maternidade a argumentação sensibilizava na presença do sentimento maior que claramente brotava do seu íntimo. Quando não se tratava unicamente do desejo egoísta de ser mãe, via-se o brilho nos olhos próprio da vocação maternal que ali realmente residia.

Para melhor compreender e me aparelhar devidamente para enfrentar as questões que me foram colocadas, busquei apoio em alguns estudos como o livro escrito por Laura Gutman, argentina, sob o título “ A maternidade e o encontro com a própria sombra”  e o belíssimo texto de Sirley Bittú, “ A maternidade depois dos trinta anos” em que afirma:

“A maternidade é percebida por algumas mulheres como o início de um novo ciclo, um marco diferencial que consagra de forma concreta a abrangência do papel feminino e talvez por isso que a maternidade pode tornar-se uma dolorosa obsessão”. Muitas mulheres desenvolvem dentro de si o desejo de ser mãe. A maternidade após os trinta anos é raramente um erro de cálculo ou obra do acaso, trata-se na maioria das vezes de algo planejado, sonhado e muito desejado. Algumas vezes torna-se um objetivo de vida. Condição para sentir-se realizada no mundo.

A revolução do papel da mulher na sociedade, e sua consequente inserção no mercado de trabalho de forma cada vez mais competitiva, modificaram consideravelmente as características da mulher atual. É claro que a liberdade sexual também ajudou, pois atualmente a mulher pode escolher a maternidade desvinculando-a da relação sexual. Historicamente somos herdeiras de uma educação onde o amor e o sexo formavam um dueto inquestionável para uma mulher de boa índole  o prazer só era permitido relacionado com o sentimento mais sublime, o amor, e desta forma mantinha-se uma visão da mulher comparável apenas ao aspecto divino dos anjos, e não os seres humanos.” Diz mais:

“A mulher está aprendendo a buscar seus desejos, a ter projetos outros além de casar e ter filhos. Com o desenvolvimento emocional e cultural tanto da mulher como do homem e o aumento de sua autoconsciência, a maternidade está deixando de ser manipulada à vontade pelos controles sociais de natalidade, ou mesmo pelos interesses políticos de alguns. O desejo feminino passou a ser mais aceito e reconhecido, numa sociedade tradicionalmente patriarcal. Muitas dessas mudanças estão acontecendo, como resultado do questionamento de fórmulas antigas e consagradas onde as ideias sobre o sexo, sexualidade, prazer e amor eram associados à sujeira, vergonha, medo, dor, repulsa e culpa. A mulher está tentando aprender com os homens a separar amor e sexo, enquanto o homem reciprocamente tenta aprender a juntar as duas coisas.”

Daí a minha decisão de separar os grupos de clientes: os que mereciam maior avaliação e os que ali se encontravam unicamente buscando onde era para assinar o seu nome e resolver o impasse. Ao primeiro grupo eu me dedicava a reflexões e ao segundo me limitava a solicitar a secretária à impressão do documento padrão para compor a petição a ser encaminhada ao juiz.

Diante de tudo isto concluo que o casamento é importante sim para a realização da maternidade, mas hoje, em que as mulheres tornam-se cada vez mais independentes, o desejo de ser mãe é maior que o desejo de se casar. Dentro desse conceito, não raras vezes, vê-se que a independência da mulher e a sua nova postura na sociedade justifica, a busca à utilização das inseminações artificiais e as, vulgarmente chamadas “produções independentes”, sem qualquer restrição, até mesmo pela divulgação sensacionalista da prática por celebridades.

E quando olho fixamente, nos olhos dessas que se mantiveram firmes na concretização do seu sonho de dar à luz a um filho, nada mais me resta do que, além de cumprimentar pelo ‘DIA DAS MÃES, lembrar os dizeres de  Erika Strassburger:

  • “A maternidade é, de longe, o chamado mais puro e belo que a mulher pode desempenhar na vida”. A mãe dedicada renuncia de si mesma pelo bem-estar da sua prole. Nenhum amor se compara ao de uma mãe pelo seu filho.

A mãe é uma figura curiosa. Ela ama intensamente um serzinho que cresce em seu ventre, sem nunca o ter visto; enche o coração de alegria, gratidão e ainda consegue sorrir após sofrer as terríveis dores do parto; está disposta a sofrer tudo novamente, sabendo quão intensas são as dores, para trazer mais filhos ao mundo; consegue amar todos ao mesmo tempo, na mesma intensidade; sabe o trabalho que dá ser mãe, mas alegra-se no sacrifício; dá conta de tantas coisas ao mesmo tempo, que por vezes pensamos que ela tem superpoderes.”

Excelentes as matérias postadas

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