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FAZENDO JUSTIÇA

Militar, do Exército Brasileiro, me comportava conscientemente seguindo os parâmetros de disciplina e ideologia reinante na caserna.

TUDO PELA PÁTRIA, era o lema inscrito no gramado à entrada do Quartel e ao chegar pela manhã para o trabalho quase me sentia compelido a me curvar em respeito àquelas palavras que soava fundo no coração do jovem que vivia uma nova experiência cumprindo o seu tempo de serviço obrigatório e consciente do exercício da cidadania.. O que sabíamos da vida nacional, fora do Quartel, era o que nos era alimentado pela imprensa, mas de certa forma interpretado pelos Chefes que procuravam manter junto à tropa uma linha de raciocínio condizente com o pensamento da corporação tendo como base o patriotismo.

Há no entanto a necessidade de esclarecer o sentido desse procedimento principalmente em face de uma letra dirigida e com intensões ideológicas, sobre a qual não desejo polemizar em respeito à liberdade de opinião, de uma canção muito divulgada que diz em um de seus versos:

“Há soldados armados, amados ou não, Quase todos perdidos de armas na mão Nos quartéis lhes ensinam a antiga lição de morrer pela pátria e viver sem razão”.

Ora, que tivessem os seus autores e seguidores o seu pensamento doutrinário e ideológico, é legítimo, mas desejar transmitir a tese de que os militares estariam perdidos de armas na mão e que aprendiam a morrer pela pátria e viver sem razão é ir longe demais. É próprio de quem não aprendeu a morrer pela pátria e só vive em torno de sua razão exclusiva, que eu não vou discutir por não saber qual é.

O fato é que por ser muito difundida e se tratar de uma melodia fácil e agradável, o que seria, na época de seu lançamento um hino de resistência ao governo militar, tornou-se uma canção de revolta contra tudo e contra todos.

Hoje se o juiz está errando no clássico Fla X Flu, a torcida descontente começa a cantar “caminhando e cantando essa linda canção” …Se a manifestação é de greve dos professores, lá vem “caminhando e cantando essa linda canção…” Se é manifestando contra o aumento dos ônibus, lá vem “ caminhando e cantando essa linda canção…” e dentro dela continuam cantando que o soldado está perdido e vivendo sem razão, quando ele não tem nada a ver com os temas objeto dos protestos. E assim, são muitas outras. As marchas carnavalescas, que hoje não existem mais, eram caricatas e divulgavam um momento atual. Posso citar como exemplo a marchinha criada para enaltecer a volta de Getuilo Vargas à Presidência da Republica que dizia: “Bota o retrato do Velho, outra vez, Bota no mesmo lugar…” O Getulio assumiu, morreu e dez anos depois cantou-se : “ Bota o retrato do velho outra vez…”. Claro que a curtição é a música mas a mensagem dela já não tem mais sentido, mas também não traz nenhuma maldade. .Mas a outra não, estará sempre divulgando aquele recado que não é tão inocente… Claro que não vamos pretender censurar a canção, mas vamos apenas curtir a musica, pela música, sem injustiça ao bravo soldado brasileiro.

3 respostas »

Excelentes as matérias postadas

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