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DAY AFTER

 

Hoje, é a quarta feira de cinzas da situação política do país, ou seja, após a euforia das disputas nas ruas e no Congresso o país tem que tomar o seu rumo.

Assume um novo governo, interino sim, mas com responsabilidades de definitivo, com uma carga de problemas bem maior da recebida por Dilma quando sucedeu Lula.

E a complicação é maior quando a politica contamina e trava a economia. É sempre importante lembrar que o maior combustível para a normalidade é a governabilidade que é conseguida pela união de forças dos políticos e da sociedade.

Michel Temer assume temporariamente com o afastamento de Dilma, que sofreu um grande desgaste com a manifestação contrária das ruas, mas sem o respaldo necessário para si próprio. Nem todos que gritavam Fora Dilma diziam Entra Temer. Por isso será necessária uma costura muito competente para mudar esse quadro e utilizar o máximo a boa vontade e paciência da população, movida pela esperança, e a sua reconhecida experiência como politico profissional.

 A grande questão é: por onde começar?

Recuperar a economia é claro, mas como? Se fosse viável apertar um botão e tudo se resolvesse seria fácil, mas não existe essa alternativa. Eu me lembro bem dessa situação quando Itamar assumiu um governo com uma inflação de 5.000%. A decisão foi no sentido de tomar todas as medidas necessárias e capazes de ajustar as finanças, mas sem descuidar da consolidação do governo politicamente.

Diz o Professor Roberto Luis Troster, da USP: “ A solução é simples, erradicar as causas. Uma politica fiscal mais parcimoniosa, aprimoramentos na politica monetária com a meta de curto prazo mais crível (elevação), uma meta de longo prazo mais baixa, uma banda mais estreita e a politica de juros em sintonia com os ajustes. Pessoas e partidos não são a solução dos problemas. Trocando presidente, ministros e a agremiação política hegemônica, sem modificar a politica econômica, a situação vai continuar e se agravar. A maneira de gerir a coisa pública é que tem que ser mudada, independente de quem estiver no poder. Resumindo, deve-se aplicar uma dose de boa teoria econômica ao Brasil. Dá certo.”

Outras teses poderemos encontrar por aí, mas basicamente observando e praticando a austeridade, a boa politica e a transparência, só tende a melhorar.

O entrave maior para o Presidente em exercício não estará na ação oposicionista, pois tudo o que vier de lá já é esperado. O problema é o chamado fogo amigo, vindo da suposta base aliada que virá, sem nenhuma dúvida, ainda mais quando se sabe que foi formada artificialmente na votação da autorização para processar a Presidente da Republica. Até onde e quanto esses integrantes estarão ávidos ou não por satisfazer interesses próprios ninguém pode saber, mas a consequência dessa arrumação já se pode avaliar. Interesses satisfeitos dão alegria, mas insatisfeitos provocam animosidades. E mais ainda, em curto espaço de tempo o governo terá que mostrar resultados e essa sustentação parlamentar será chamada a enfrentar medidas impopulares às vésperas das eleições municipais. Aí, veremos como será o comportamento dos aliados, sem se lembrar da máxima irretorquível: “O sucesso é solidário e o insucesso é solitário”.

Itamar ao assumir contava com um diferencial. Não havia oposição formal à sua investidura, pois, Collor não dispunha de uma base partidária suficiente para sustenta-lo. Assim, naquele momento existia uma avenida aberta para as medidas a serem tomadas pois a esperança era total levando-se em conta que pior do que estava não poderia ficar.

Hoje, a Presidente Dilma tem uma estrutura partidária razoável, embora no campo congressual ainda seja proporcionalmente desfavorável. Mas há um numero suficiente para perturbar e como já afirmei, no Senado declaradamente dispõe de 54 senadores quando o quórum de afastamento definitivo é de 41. Mas, levando-se em conta a presença de partidos reconhecidamente vulneráveis a mudanças, 13 votos não são assim tão impossíveis de se alcançar, principalmente com a possibilidade de algum tropeço do Presidente Temer, a exemplo dessas desastrosas fusões dos Ministérios da Educação e Cultura, Ciência e Tecnologia e Comunicações sem nenhuma correspondência funcional, que nenhuma beneficio acarreta e por outro lado causa desgastes desnecessários. No caso do MEC então é gritante o equívoco em face das estruturas equivalentes dos dois. Não haverá nenhuma economia que justifique simplesmente para apresentar redução de Pastas, como marketing.

Com Itamar tinham 24 Pastas contando com os cinco militares, hoje Temer tem 25 pastas que correspondem a 30 pois os militares estão aglutinados no Ministerio da Defesa.

Dificilmente alguém vai fixar o numero ideal certo Ministerios, no entanto há um numero de Pastas básicas a qualquer governo que podem ser acrescidas de outras atendendo à evolução natural da administração mas sem ultrapassar um numero máximo de 24 desde que devidamente organizados aglutinando assuntos realmente correlatos.

Dir-se-á que hoje a pulverização partidária é um empecilho, o que realmente é verdadeiro. Mas em uma análise ainda que superficial houvesse uma drástica redução de um momento para outro a reaglutinação traria aos grandes partidos resultantes, os atuais integrantes de legendas ideológica e filosoficamente identificados, fazendo com que a fisiologia se tornasse mais efetiva e poderosa e com poder de chantagem maior sobre o governante.

Já relembrei em outras ocasiões que a pior fase politica do governo militar foi quando passou à condição de refém da ARENA que dispunha de 2/3 total de deputados na Câmara Federal. A situação só foi aliviada com a criação do PP organizado numa aliança inacreditável de Magalhães Pinto e Tancredo Neves.

Mas com tudo isto, Temer ainda conta com uma ajuda inestimável com os atos da Presidente que, aconselhada ou não,  dá vários tiros no pé como essa programação de sair por aí propagando o mesmo discurso sobre golpe que somente atrairá quem já está ao seu lado e aumentará a ojeriza de quem já é contrário e afastará o indiferente que não está em nada satisfeito com manifestações ruidosas e programadas nas ruas. A consequência pode vir com uma aceleração do processo no Senado sem lhe dar tempo de recuperação. O maior trunfo a seu favor está em possíveis erros do governo interino e não nesse tipo de reação.

Resta esperar e ver se    o jogo será definido no tempo normal, na prorrogação ou nos penalties. Uma coisa certa: O país não merece isso.!

4 respostas »

Excelentes as matérias postadas

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