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A IMPRENSA NOTICIOU

Permito-me transcrever um texto oportuno publicado por J. Guzzo em VEJA desta semana (12/06):

“OS VIAJANTES que vão de Zurique, de outras cidades da Suíça e da maioria dos países da Europa para Milão e para o norte da Itália já estão rodando a até 250 quilômetros por hora na linha de trem que passa pelo novo túnel do Mon­te São Gotardo, a mais recente maravi­lha da engenharia mundial — com qua­se 60 quilômetros perfurados na rocha bruta, é o túnel mais longo do mundo, e sua construção tornou-se uma epopeia comparável à da travessia subterrânea do Canal da Mancha, entre Inglaterra e França. Enquanto isso, no Brasil, a últi­ma notícia que o público pagante teve em matéria de estrada de ferro foi o anúncio, dias atrás, de que o Tribunal de Contas da União proibiu qualquer entrega de dinheiro do Erário à “Ferro­via Transnordestina”, apresentada des­de o governo do ex-presidente Lula co­mo um monumento à redenção do Nor­deste; seria também uma prova de que foi preciso um operário chegar à Presi­dência deste país para ensinar que gran­des obras não podem ser feitas só no “Sudeste”. A decisão foi tomada porque a Transnordestina assumiu a proporção de calamidade fora de controle em ma­téria de agressão ao Tesouro Nacional, incompetência técnica absoluta e des­respeito ao cidadão. O resumo real do que aconteceu aí é o seguinte: dez anos após anunciadas as obras, não existe ferrovia nenhuma. Em compensação, existe uma dívida de 35 bilhões de reais.

Sempre se pode dizer: “Não dá para comparar a Suíça com o Brasil”. Não dá mesmo — não é realista, não é lógi­co e é inútil. A Suíça é uma coisa, o Brasil é outra, e não existe nenhuma previsão, pelo menos por enquanto, de
que fiquem mais parecidos algum dia em termos de conduta por parte do po­der público. Ainda assim, o caso das duas ferrovias oferece uma excelente oportunidade para pensar um pouco nessa coisa ruim chamada “governo”. Tudo bem, ninguém está querendo por aqui que os governantes tenham um desempenho semelhante ao de lá; mas, francamente, também não há nenhu­ma obrigação de serem tão ruins desse jeito. A Transnordestina, lançada em 2006 para ligar os portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, além de abrir um novo acesso ao mar para o interior do Piauí, deveria ser en­tregue em 2010. Não foi.

O governo que não faz á o mesmo governo que não deixa fazer.

Já estamos em 2016 e nada — não há no momento nem sequer um palpite sobre a data de entrega. Descobriu-se que as obras fo­ram iniciadas sem um projeto de enge­nharia coerente. Não existe nenhuma dificuldade geográfica especial na área (nada de túneis a 550 metros de altitude, por exemplo), mas dos 1700 quilômetros da estrada só há trilhos em 600, onde não passa trem algum. Sua função, no momento, é serem es­tragados pelo tempo ou furtados para a venda a peso do seu aço. O novo tú­nel do maciço de São Gotardo, aberto ao público dias atrás, foi entregue seis
meses antes do prazo contratado e cus­tou o que deveria custar — o equiva­lente a pouco mais de 10 bilhões de dó­lares. Por uma dessas coincidências da vida, a soma é praticamente igual aos 35 bilhões de reais de dívida que as empresas estatais responsáveis pela Transnordestina têm a apresentar co­mo resultado de seus esforços até ago­ra. Dá o que pensar. Quando a Suíça resolve fazer uma estrada de ferro, as pessoas passam a andar de trem; no Brasil, ficam devendo. Ê lindo, isso.

Também chama atenção, no caso, um fenômeno curioso, que provavel­mente só acontece no Brasil: quanto mais a tecnologia avança no mundo desenvolvido, mais as obras públicas brasileiras demoram para ficar pron­tas. Numa época em que a ciência da engenharia é capaz de vencer os mais ingratos desafios da natureza, dentro dos prazos e dos orçamentos previs­tos, é como se o Brasil estivesse viven­do no tempo da régua de cálculo e do trator a gasolina; no ritmo de trabalho seguido pelos dois últimos governos, a Ponte Rio-Niterói ainda estaria em obras. Estradas como a Transnordes­tina, segundo apontou o TCU, apre­sentam “vícios de construção” e “er­ros primários” de técnica ferroviária. A transposição de águas do Rio São Francisco é uma coleção de ruínas. Usinas hidrelétricas geram energia inútil, porque não há linhas de trans­missão — e por aí se vai. Para piorar, o governo que não faz é o mesmo gover­no que não deixa fazer, na sua paixão contra o resultado prático e no seu pâ­nico diante de qualquer benefício públi­co feito pela iniciativa privada. Nesse meio-tempo, o mundo continua a girar. A primeira ferrovia do São Gotardo é de 1882; por lá, já estão na terceira. Por aqui, a grande discussão é saber se os que não fizeram vão voltar ao go­verno para continuar não fazendo. ■”

Pois bem, acrescento que a Transposição do São Francisco foi idealizada em 1847 e revigorada em 1994 no Governo Itamar através do Ministro Aluizio Alves. À época a obra foi financiada pelo Banco Mundial a juros subsidiados com carência de seis anos. O governo que o sucedeu desprezou a questão e hoje ainda engatinhando já teve o seu custo quadruplicado e sem a conclusão prevista. Trata-se de um grande empreendimento e que aos interessados a Wilkipedia tem toda uma história disponível. E outras tantas seguem o mesmo ritmo. Os brasilienses por exemplo, conhecem bem a história do VLT proposto pelo então Governador José Roberto Arruda, ligando o aeroporto ao centro da cidade e posteriormente com ampliação à Asa Norte e cidades satélites. As obras foram iniciadas e até a composição foi exposta para a alegria da população. Hoje, ninguém  sabe e  ninguém viu… Ao mesmo tempo após conversar com o Diretor Geral do DENIT , Pagot, tive conhecimento da existência de mais de cem vagões e locomotivas da extinta Rede Ferroviária encontrava-se estocada em um depósito em Paulínia no Estado de São o Paulo. Conversando com o Governador Arruda abordei sobre a possibilidade de implantar um trem expresso entre Luziânia e Brasília utilizando os trilhos já existentes com viagem programada para 45 minutos e capacidade de transportar até 10 mil passageiros. Destaque-se que o ônibus leva mais de duas horas nesse trecho e com menos de cinquenta passageiros. Até hoje, um e outro fala a respeito, mas é só… E assim, segue a vida, comandada por uma incompetência generalizada.

4 respostas »

    • Rezar.. É incrível um país como o nosso estar passando por isso. Será que não nos é permitido passar pelo menos uma semana sem ter noticias de uma autoridade presa?

    • o pior é que não tem saída… O Pero Vaz de Caminha nomeou a familia inteira em 1500. O Presidente José Linhares em 1946 também..E agora nesta década…….igual tissuname..

Excelentes as matérias postadas

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