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VOLTA A UM PASSADO FELIZ – SILVIA SEABRA

Estou realizado. Não há satisfação maior que a constatação de que as nossas postagens encontrem eco junto aos que nos brindam com sua leitura e até mesmo se animam a se manifestar com seus testemunhos de vida. Hoje, experimento essa oportunidade em que a minha amiga Sílvia Seabra nos brinda com uma crônica da sua vida em que estabelece uma relação com os nossos textos em que comparamos os tempos modernos com os nossos passados. Sílvia intitula seu trabalho como ‘”VOLTA A UM PASSADO FELIZ “,  cuja leitura nos enche também de felicidade. Espero que outros amigos tenham a mesma disposição para que possamos compartilhar.

” Volta a um passado feliz!

Dr. Henrique, é sempre um prazer ler seus artigos, além de interessantes nos deixam alegres.

Estes últimos foram uma volta ao passado de uma maneira feliz. Lembro muito bem da primeira televisão que meu pai comprou nos Estados Unidos, uma  pequena e fantástica máquina, nada mais do que treze polegadas. Naquela época não havia ainda sinal de televisão em Porto Alegre, somente os risquinhos que dançavam na telinha e ainda por cima não podíamos ligar a toda hora, pois meu pai dizia que íamos estragar, bons tempos!!

Assim que tivemos o sinal foi uma festa, imagine a casa cheia de parentes, amigos e gente que nem nós conhecíamos. Uma novidade e tanto, todos comentando e dando seus palpites, perguntando onde meu tinha comprado, quanto custou e aí afora.

Lembro da primeira novela “Alô Doçura”, já tinha passado um pouco da euforia inicial, mas continuávamos com a sala repleta, todos com os olhos vidrados na telinha e de boca calada, silêncio total, minha mãe como boa dona de casa sempre oferecia algo para deliciarmo-nos, no outro dia, dizia: “Vamos acabar com estas visitas, a empregada não dá conta de fazer tantos biscoitos.”

Qual! acabar a farra que nada, continuou por um bom tempo, até comprarem suas mágicas telinhas.

Hoje, nossos netos estão em outra, cheios de celulares, tabletes, internet, dominam com uma facilidade tão grande que até nós pensamos como estes moleques aprenderam? Incrível e ainda nos ensinam, Pedro, meu neto de nove anos, me mostrou vários aplicativos  que nem sabiam que existiam, ao usar um deles, lógico que não lembrei, liguei para o moleque e veja a resposta: ora vovó, só indo aí para te mostrar, cancelei minhas pesquisas por este mundo dos aplicativos.

E a novela “Direito de Nascer”, outra marca da infância, isto antes da TV, eramos proibidos de ouvir, o mistério era grande, mas crianças inventam, as vezes dormíamos na casa da minha vó, e era um quarto tão grande que ficávamos com minha tia avó que ouvia a novela só depois que tínhamos dormido, dormido que nada! olhos fechados e ouvidos atentos para a novela, mas o som era tão ruim, cheio de chiados, mas era o máximo. No outro dia contávamos tudo, eram umas seis crianças entre irmãos e primos, todo mundo voltava para suas casas de castigo. Creio que esqueciam o castigo e lá estávamos nós ouvindo o Albertinho Limonta  com chiados e altos e baixos, e éramos felizes.

Charles Chaplin!! Que filmes memoráveis cheios de vida e criticas a vida moderna, para tristeza de meu marido, que comprou os filmes para assistir com os netos e não gostaram, mas mesmo assistiu e fez os devidos comentários.

E a conta do aramazem, quem não as tinha, mas tinha um limite imposto pelos pais, e o melhor de tudo o padeiro, seu Guilherme, que ia de porta em porta entregando as encomendas, e como gostávamos dele, pois sempre tinha um pãozinho doce,rosquinhas e etc que nos dava era uma alegria, a santa inocência!!!

Martha Rocha com suas duas polegadas a mais que a deixava mais linda, contra as magrezas estipuladas pelas “Barbies”, esqueléticas sem cor, umas múmias. Esteve em Porto Alegre e bem feliz fui vê-la no estádio Olímpico, do Grêmio Futebol Clube, uma glória, mas para tristeza nossa desfilou em carro aberto pelo campo, só um adeusinho.

Outra lembrança feliz, meu pai era radio amador, como ele gostava e eu era sua “cristalina” pelo qual sempre me chamou. Saudades e saudades, eu não podia falar, pois não tinha o prefixo, PY 3QA, mas assim mesmo era eu que falava, quando estavámos na fazenda e ele na cidade, tinha hora marcada, antes tínhamos que ligar o gerador, era engraçado, o capataz puxava uma corda até funcionar, pronto aí íamos aos equipamentos, lembro que devia ter uns dez anos e já era uma radio amadora de mentirinha. Ligava e desligava, falava e escutava, memórias e memórias.

Eu, agora, não lembro mais e nem tenho a quem perguntar, houve um acidente aéreo que faleceu um politico, pronto nossa casa virou o quartel general das noticias, era um entra e sai sem fim, deviam ser politicos importantes. E eu lá acompanhando e tomando nota dos telefones, não lembro precisamente dos fatos, mas estava lá. Creio que hoje devem existir poucoa radio amadores, mais pelo prazer de falar, Agora só Whatsapp, Skypes, Facetime e outros e são tão faceis de usar, e sem gerador.

Por falar neste assunto, lembrei das viagens para a fazenda, eu não gostava, mas não tinha opção, ou vai ou vai. Era quase uma mudança, ia de tudo, sei lá o que, mas íamos lotados, pronto conseguimos sair e vamos para o primeiro passo a travessia do Guaíba, a famosa Barca do Guaíba, onde só cabiam quatro automóveis, não lembro o tempo de travessia, mas era um social, todos desciam inclusive nós as crianças. E se chegasse ao local do embarque quando a barca já tinha saído esperávamos até a volta da barca para começar realmente a viagem. Estradas de terra, pó e mais pó, vinha um carro fechava-se as janelas para não pegar tanta poeira, ar condicionado eram as janelas abertas. e quando chovia havia o tal de atolar, isto sim era terrível, tínhamos que esperar alguém para rebocar, não havia celular, só o tempo.

Bom, Dr. Henrique, era só um comentário sobre seus artigos que este já quase virou um outro, mas foi muito agradável voltar a um passado feliz, saudades temos muitas de um tempo que não volta, mas nos deixou marcas gostosas.

Um abraço , Sílvia”

A história se faz através das memórias que são relatadas. Vamos rememorar juntos o passado que já se foi, o presente que está acontecendo e procurar prever o nosso futuro que espero venha a se  constituir em  um passado feliz para os que nos substituirão. Quanto aos valorosos rádio amadores ainda existem sim, resistindo ao tempo,  e em Brasília,  somos mais de uma centena dentre os quais me orgulho do prefixo  PT2 IF que por pura coincidência, mesmo, são as iniciais do meu saudoso amigo Itamar Franco.

1 resposta »

  1. Henrique esta sua amiga me fez lembrar 3 coisas importantes o radio amador

    Só o cel. VON RANDOLF, QUE A GENTE CONHECIA, e mamãe estava muito mal´precisamos

    Dele para falar com meu irmão, José Antonio q. estava no sul, era major, e ela nos ajudou

    Muito. Quanto a novela o direito de nascer o avô do Limonta,morrendo pedia agua, e meu filho foi

    Na cozinha e trouxe 1 copo dagua e a casa cheia de vizinhos e amigos, foi uma risada só e a outra passagem eram os rabiscos na tv. Mas foi um bom tempo eu ia para a vizinha ver o BELLINI, JOGADOR NA COPA DE 58….EU TINHA27 ANOS!!

    58

Excelentes as matérias postadas

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