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BOQUIRROTO DE PLANTÃO

No final do ano passado,  me telefonou um amigo, ilustre jornalista, pedindo a minha opinião a respeito do trabalho na Casa Civil da Presidência da Republica, uma vez que se trata de um cargo por mim exercido.

Embora com o maior respeito pela nossa amizade eu lhe disse que declinaria em atender o seu pedido, mas determinadas funções exigem que qualquer manifestação por parte do seu titular deve ser dada única e exclusivamente no presente, ou seja, enquanto estiver no exercício do cargo. Fora isto, é ser boquirroto, indelicado e inconsequente.

Ora, com o é possível alguém comentar sobre atos praticados pelo titular da Casa Civil  sem lá estar e sem saber dos pormenores que cercam a decisão?

Busco à memória uma passagem do filme documentário ” Sully o herói do Hudson”. Em face da avaria das turbinas do avião que comandava o piloto avaliou que o melhor procedimento seria forçar o pouso no leito do Rio Hudson em New York. Assim fez e salvou a vida de 155 pessoas que se encontravam a bordo.

As manchetes o tratavam como herói e a aclamação era unânime, menos por parte dos membros da Comissão encarregada de periciar o ocorrido. E após várias analises e tomadas de depoimento lançaram mão de um simulador de voo em que programaram todas as nuances do momento da decisão do comandante buscando provar que havia alternativa diferente da que foi tomada. Convocando a imprensa especializada e representantes de setores vinculados o Presidente da Mesa exibiu o trabalho de dois pilotos simuladores  demonstrando com facilidade que havia possibilidade de pouso no aeroporto de La Guardia (N.Y). Nesse momento o Comandante em questão pediu a palavra e solicitou que lhe fosse informado quantas vezes aqueles simuladores tentaram proceder a operação e em quanto tempo? Respondeu o Presidente da Comissão que aqueles pilotos tentaram 17 vezes consumindo mais de 1 minuto . Em réplica solicitou que fosse reprogramado o simulador fazendo com que os pilotos pudessem fazer o procedimento a partir do zero em 36 segundos em uma única vez como ocorrera com ele mesmo.  O resultado é que todos eles caíram em cima da cidade.

Conto isso para rebater manifestações  que estão sendo divulgadas através de entrevistas de juristas, especialistas em processo de delação e principalmente de ex ministros do STF no sentido de ditar critério a ser adotado pela digníssima Ministra Carmen Lucia, sem ter conhecimento de tudo do que se contém no arcabouço processual, no presente e que em nada  ou mesmo que fosse em tudo,  se assemelha com questões que lhes foram impostas quando no exercício do cargo, em outra situação, em outro clima e que tira a legitimidade daqueles que poderiam, por seu currículo, ter autoridade para falar mas que se comportam como excelentes palpiteiros, boquirrotos.

Portanto, nós na arquibancada,  esperamos que as soluções sejam definidas de modo a demonstrar que as instituições estão sólidas e que seus titulares deem uma resposta transparente no sentido do sucesso nas investigações em curso e que nada deixará de ser averiguada e que não ocorrerá qualquer impunidade.

Quanto aos boquirrotos seria bom que, como diz o “capiau” mineiro, fechem a matraca e deixem a Presidente trabalhar com  serenidade e competência que tem.

3 respostas »

Excelentes as matérias postadas

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