Pular para o conteúdo

DOUTOR ROMULO MAROCCOLO

Brasilia, 6 de março de 2017.

Essa data ficará marcada na história de nossa Capital pelo falecimento de um dos mais brilhantes pioneiros, especialmente na área de saúde, tendo sido o primeiro médico a exercer sua clinica primordialmente como funcionário público dos quadros do Ipase ( Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado) e depois nos nossos Hospitais. Por isso faço questão de registrar um pouco de sua história e aproveitando  um relato de um trabalho realizado em 2005 por André Augusto Castro, Editor on Line de Assessoria de Comunicação cujos trechos sublinho abaixo:

“!Brasília, 1957. A cidade mal passava de um grande canteiro de obras quando o médico urologista Rômulo Maroccolo chegou à futura capital do país. Foi o primeiro urologista da cidade e morou em um barracão cercado por terra batida. Preparado para qualquer emergência, tinha em seu consultório cobras, besouros e outros insetos típicos do Cerrado, além de coleções específicas sobre sua área de atuação. Casado em 1962, teve em 1964 seu primeiro filho, Rômulo Maroccolo Filho que hoje, aos 40 anos, luta à frente da Urologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB) para voltar a fazer transplantes de rim na unidade. O último foi realizado há 27 anos por seu pai, quando o HUB ainda se chamava Hospital dos Servidores da União (HSU), ligado ao extinto Inamps.

Rômulo Maroccolo Filho não esconde que resolveu seguir a profissão pela paixão com que seu pai a exercia. Apesar das inúmeras horas de plantão e do excesso de trabalho (na primeira década de Brasília, a cidade só tinha dois urologistas), percebia o respeito e a admiração com que o pai era tratado. Gostava ainda de brincar no consultório e recorda que a maioria das fotos da infância foi tirada dentro de hospitais. Por seu lado, Rômulo Maroccolo pai, hoje com 81 anos, faz questão de mostrar o orgulho por ter não só o primeiro filho, mas o mais jovem e dois sobrinhos na mesma carreira e especialidade. “Claro que é motivo de orgulho. Quem não teria?”, brinca.

Bem humorado, Rômulo Maroccolo  guarda com carinho recortes e jornais sobre Brasília, sobre a medicina e, é claro, sobre ele próprio. Personagem da cidade, acompanhou o crescimento da capital ao mesmo tempo em que via seus filhos crescerem. Tentou, em vão, mostrar os lados ruins da profissão. “Meu pai nos levou a uma cirurgia. Eu passei mal e minha irmã, que depois se tornou dentista, desmaiou”, ri o filho. Aposentado em 1982 do HUB, Rômulo Maroccolo pai mostrou sua paixão ao voltar como voluntário em 1998. “Quando ele chegou, ofereceram um salário a ele, que prontamente recusou dizendo que queria mesmo era trabalhar de graça”, conta Rômulo Filho.

Atualmente, ele continua exercendo a atividade e participa ativamente das reuniões de equipe realizadas às quartas-feiras. O filho conta que é bom tê-lo por perto, apesar dos avanços tecnológicos que mudaram completamente a forma de trabalho dos urologistas. “A participação dele é muito importante para todos porque podemos perceber nitidamente o panorama evolutivo da profissão e dos tratamentos”, elogia. O pai foi o primeiro médico a realizar um transplante de rim na região Centro-Oeste, em 1977. “

Esse relato mostra o trabalho heroico de nossos pioneiros. Eu mesmo tive o privilegio de usufruir da capacidade profissional desse médico, que além da medicina tinha a nos oferecer exemplos de vida.

Ele que já figurava na galeria das “ estrelas” do HSE ( Hospital dos Servidores do Estado”, que para quem não sabe foi considerado o melhor Hospital do Brasil embora fosse público, tinha tudo para permanecer no Rio de Janeiro e  não se furtou a vir pegar a poeira do cerrado, morando em barracão de madeira, funcionário público que era, tornando-se o primeiro médico da nova Capital e chegando até a exercer o papel de provador da comida que era oferecida diariamente aos operários do Ipase.

Hoje, quando vemos “profissionais”, nem todos é claro, inventando dedo de silicone para fraudar o ponto diário, é duro enfrentar a dureza da vida que nos leva para sempre esse brasileiro que ficou na história de nossa cidade. Por isso é que digo e confirmo, falar de Romulo Maroccolo é muito fácil difícil é falar da sua ausência, difícil é não tê-lo mais com sua voz mansa e serena, cheia de humor a transmitir aos mais jovens o que a vida lhe ensinou.

Sempre fui e sou um fã ardoroso desse magnifico profissional, pai, esposo e avô e o destino nos reserva momentos dos quais jamais nos esqueceremos.

Agora, no dia 06 de março de 2017, estava sendo submetido a uma cirurgia renal operado justamente por seu filho Dr.  Romulo  e seu sobrinho Dar Marcos, diversas vezes,   antes e depois da anestesia, comentava que estava pensando muito nele, naquele que por várias vezes me atendeu, e nesse exato momento o filho recebia a noticia que o pai acabara de falecer.

Sei perfeitamente, que isso faz parte da vida, mas é muito difícil superar sem um sentimento de perda.

 

2 respostas »

Excelentes as matérias postadas

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: