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CAUTELA E CALDO DE GALINHA NÃO FAZ MAL A NINGUÉM..

Transcrevo um texto do meu amigo Fábio Doyle,  consagrado jornalista mineiro, publicado na edição de hoje do Correio Braziliense:

” Artimanhas contra Temer.
Pode, Carmen Lúcia?

É como dizia o poeta, uma ” dança que cansa” este clima da crise, de denúncias, de corrupção, delações suspeitas premiadas em excesso, de escamoteação da verdade, do direito, da ética, da justiça, da esperança de todos nós, o povo. O que fazer? Tocar o bonde, como nos bons tempos em que eles ” subiam Bahia e desciam Floresta ” (+). O bonde, esta semana, como nas anteriores e nas que virão, vai andar nos trilhos de Michel Temer, o presidente, e de Rodrigo Janto e de Edson Fachin, o procurador geral e o ministro relator no STF da Operação Lava-Jato.

Temer, o vice que assumiu depois do des­moronamento da barragem de rejeitos de Dilma Rousseff, pode ter cometido deslizes, diga­mos assim, pois menos agressivo, no correr de sua longa e vitoriosa (quem chega a presiden­te é perdedor?) Vida pública. Afinal, político e empresário praticarem malfeitos era a praxe, até Sérgio Moro surgir no meio do caminho para sustar a manada corrupta. Deslizes que deveriam ter sido punidos à época. Mas nem ele, nem todos os iguais em deslizes o foram, pois Moro, repito, veio depois

No percurso do tal bonde da sorte, aconte­ceu de Temer virar presidente, com a missão de salvar o Brasil dos efeitos do desmorona­mento dilmítico e lulítico. Ele percebeu a chance que a história, o destino, a sorte lhe es­tavam proporcionando. Reuniu a melhor equi­pe da área econômica, no que seguiu a trilha aberta pelo incorruptível mineiro Itamar Fran­co — pai do real, moeda que ele ousou lançar e sobrevive até hoje — e passou a cuidar da eco­nomia como meta principal. Com Henrique Meirelles, vem conseguindo realizar o que pla­nejou: entrar para a história como o presidente que, como Itamar, salvou a economia e retirou o país do mar de lama e de rejeitos deteriora­dos em que se afogava. A inflação caiu de mais de 10 — para menos de quatro, o desemprego estacionou, o PIB cresceu, a esperança de dias melhores voltou. Aí surgem os enciuma­dos, os que foram depostos, os FHCs da vida que pretendem derrubar para assumir como salvadores da pátria quase falida. Entra em cena Janot, o procurador-geral. Nos primeiros tempos do mandato, foi muito bem. Parecia querer ajudar Temer a limpar a administração e a salvar as finanças, a economia. Todos nós o aplaudíamos. O sucesso, no entanto, parece lhe ter subido à cabeça. Gostou da notorieda­de, da cobertura da mídia, dos aplausos, das homenagens. Gostou e passou a abusar. Virou prócer. Faz pose de gênio, chega todos os dias ao STF com ares de herói de guerra, sorrindo, ajeitando a gravata, distribuindo aceno aos fotógrafos e cinegrafistas.

Foi o seu pecado. Por se julgar infalível, com poder absoluto sobre tudo e sobre todos, aco­lheu a delação com fita gravada, apesar das 294 interrupções suspeitas, de Joesley Batista, da JBS. Gravação feita sem conhecimento dos gravados, o presidente e um senador, que o consideravam amigo. O que levou o ministro Gilmar Mendes, em sessão no STF, a comentar: “Quem faz esse tipo de gravação criminosa é capaz de tudo, até de colocar pacotes de cocaí­na no carro de um amigo para denunciá-lo à polícia como traficante”.

Janot concedeu a Joesley e família, com a aprovação do ministro Fachin, absolvição plena e total por todos os crimes por ele co­metidos. Decisão que, infringindo o princípio da razoabilidade, provocou revolta geral. O Juiz Sérgio Moro, pioneiro, na Lava-Jato, da colaboração premiada, tem sido cuidadoso ao conceder benefícios aos delatores.

Janot ignorou o compromisso de isenção, de rigor ético na análise dos processos que lhe cabe instruir como representante do Ministério Pú­blico. É notória sua prevenção, sua antipatia, por alguns dos que lhe incumbia investigar.

O principal deles é o presidente da República. Janot, sabe-se lá a razão, não gosta dele. E pro­cura, de todas as formas, atingi-lo. Não apenas nos limites dos autos, mas em declarações que, como membro do Poder Judiciário, não deveria fazer, em entrevistas que não deveria dar. Pes­quisa indícios, chamados por Temer de “ila­ções”, para transformá-los em denúncias for­mais. Todos os dias, com a ajuda de uma rede de comunicação escancaradamente dedicada a derrubar o governo, a PGR divulga um malfeito, um suposto delito que atribui ao presidente, a seus ministros, ao seu governo.

Agora, exagerou na antipatia perseguido­ra. No relatório que mandou ao STF, foi agres­sivo, duro, desrespeitoso, não apenas com Michel Temer, pessoa, mas com a instituição presidencial. Até um jornalista, um dos 10 ou 12 “soldadinhos” monocórdios e disciplina­dos na batalha global contra o presidente, ou­sou comentar na TV das 10 da noite: “Isso, es­se desrespeito, nunca aconteceu no país”.

Mas o PGR não ficou só nisso. Fatiou o pro­cesso que monta contra Temer em três ou qua­tro denúncias separadas. Por quê? Para dificul­tar o trabalho da defesa, retalhando as vota­ções, uma de cada vez, que a denúncia exige para sua aprovação ou arquivamento pela Câ­mara dos Deputados. Em poucas palavras: o ilustre sr. procurador-geral busca, com ma­nhas e artimanhas, fazer sangrar o presidente Temer para derrubá-lo.

Seria correto, válido, ético agir desse mo­do? Os ministros do STF isentos, justos, como a sua presidente Carmen Lúcia e outros pou­cos, não percebem, como todos nós, como to­da a imprensa independente, a artimanha praticada, nem cuidam de coibi-la? Será que apenas Gilmar Mendes, o polêmico, mas franco e corajoso ministro, condenará mais essa agressão ao direito de defesa? Quem vi­ver verá. Até que a dança cansar.”

(+) Ruas de Belo Horizonte.

pois é…..

 

 

 

Excelentes as matérias postadas

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