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MICOS….

* Na década de 1980, surgia no país uma dupla de música sertaneja sucedendo os tradicionais Alvarenga e Ranchinho e Tonico e Tinoco. Era Chitãozinho e Xororó, irmãos paranaenses, que como todos cantores que se lançam buscavam espaço a todo custo se apresentando em festa de aniversário, casamento, e, quando não tinham contrato cantavam nas praças para ser conhecidos.

Eu, então Subchefe da Casa Civil da Presidência da Republica, fui a São Paulo em um evento oficial e me hospedei no Hilton Hotel.

Ao realizar o ckeck-in tomei o elevador e um rapaz baixinho pediu licença para entrar. Havia um barulho muito grande, um vozerio, vindo do mezanino, o que não era normal naquele Hotel. Então comentei com o companheiro de viagem (de elevador) o que estaria acontecendo. Prestativo me relatou que havia uma festa de aniversário e que ele iria fazer uma apresentação. E em seguida se adiantou dizendo: ‘ Eu sou o Chitãozinho! !!!! E eu automaticamente respondi fazendo graça:  eu sou o Xororó !!!!  E ele imediatamente retrucou que era realmente o Chitãozinho e eu me recolhi, vendo a bobagem que falei dizendo que efetivamente eu não era o Xororó..

Passados muito tempo eu então Chefe da Casa Civil da Presidência da Republica, fui a Goiânia e hospedado no Hotel Castro, no salão do Café da manhã, notei que havia uma movimentação decorrente da festa de casamento do cantor Luciano, e de repente vem à minha frente o Chitãozinho, já famoso e se dirigiu a mim dizendo: Como vai Ministro Xororó??

Eu nunca poderia imaginar que ele guardava na lembrança o mico que eu pratiquei…

Serve de lição….

* Meu pai, Raymundo Hargreaves, era piloto amador e voava à época um avião do Aeroclube de Juiz de Fora, fabricado nos EUA em 1939, o monomotor  Porterfild, prefixo PP-GAN.

Certo dia resolveu ir ao Rio de janeiro e quando sobrevoava a Serra de Petrópolis foi surpreendido por uma chuva muito forte e com um nevoeiro muito denso, o que o obrigou a ficar voando em círculos dentro de uma cadeia de montanhas a espera de uma saída. A sensação era a de que estivesse dentro de uma cratera de um vulcão.

Na angustia de quem conta com um milagre em face do consumo excessivo de combustível e sem perspectiva de uma abertura, ouviu um forte ruído acima e notou que passava uma esquadrilha de NA ( North American) T-6, aviões de treinamento da Força Aérea. Após passar o ultimo seguiu pelo ruído a direção tomada pelos caças sem visibilidade e sem instrumentos até que notou que eles mergulhavam saindo das nuvens. Ato contínuo, repetiu a manobra dos militares e quando pode vislumbrar onde se encontrava, viu que se tratava de um desfile aeronáutico e pousou no Campo dos Afonsos, Base Aérea da Academia forçando que outra esquadrilha, que já descia na sua rabeira, arremetesse.

Em se tratando de um grande evento estava presente o Ministro da Aeronáutica além do Alto Comando da Força.

Não é necessário destacar a ira do Comandante ao ver os seus aviões posando enfileirados e um teco-teco garbosamente integrando o cortejo.

Assim que desligou o seu motor, recebeu a ordem de entregar a sua carteira de brevê com uma suspensão de seis meses.

Na verdade, comentou um Brigadeiro presente, fora o mico, o que ele merecia era um elogio pela façanha.

* Em 20 de outubro de 1962, tomei posse como servidor concursado em cargo do Quadro da Secretaria da Câmara dos Deputados, sendo designado para trabalhar na seção de Comissões Especiais, no vigésimo andar do Anexo I, presidida pelo então Deputado Fernando Ferrari, que logo em seguida veio a falecer vítima de acidente aéreo.

Certa feita, trabalhávamos, às vezes, até meia noite, estávamos todos de saída, fui encarregado de desligar o circulador de ar enquanto todos já haviam descido pelo elevador. Confesso que não estava me sentindo muito bem de estar ali sozinho, com a maioria das luzes apagadas e pensando nas lendas que alguém já teria ouvido vozes parecidas com a do Deputado falecido.  Como não tinha prática com essa operação acionei o primeiro botão existente na caixa do aparelho que fez com que o motor desligasse. Ocorre que esse dispositivo, ao contrário de desligar, revertia o movimento de ventilador para exaustor, reduzindo a zero a ventilação e o barulho do motor e recomeçava tudo de novo. Ora, eu já no escuro e julgando ter desligado o aparelho, ouvi aquele ruído reiniciar, pulei pela escada abaixo saltando os degraus como podia até chegar ao térreo, tremendo e como se diz, com o coração na mão.

* Ministro de Estado da Casa Civil, telefonei para a residencia de um Senador. Atendeu uma garotinha ( pela voz  identificava) que respondeu que o pai não se encontrava. Perguntei então pela esposa do Senador. A filha respondeu: ” Ela está mas não pode atender porque está fazendo cocô ” Eu disse que depois telefonaria. Ela me mandou esperar e gritou ” Mamãe, vc já cabou de fazer cocô, tem um Ministro que quer falar!!!”Ato contínuo uma gritaria própria de quem está batendo e  de quem está apanhando….. Eu desliguei o telefone de mansinho até mesmo porque a pancadaria foi  mais grave do que o ato que a motivou…

Moral das histórias :  Mas quem é que nunca pagou um mico na vida? Na hora, a gente fica sem graça, morrendo de vergonha, mas depois ele é motivo de boas risadas, dizem os entendidos…

 

6 respostas »

    • Lembro que a carteira de piloto do. Pai foi quando fez gracinha no Parque Halfeld e na barreira do triunfo jogando banana na granja do Pedro e Estela.

      Estou inventando?Não sou tão criativa….
      Enfim,posso ter meus segundos…de alucinação.bjs

      • È verdade, mas antes ficou olhando pensativa de ter conhecido aquele carro e o moço que estava dentro dele muito parecido com o Raymundo!!

      • Vc não está inventando e nem é tão criativa. hahaha ele é que era criativo, porque esse fato que vc relatou ( verdadeiro) resultou na suspensão da carteira pela segunda vez e a terceira culminou pela retirada de vez do mercado..

Excelentes as matérias postadas

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