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Dá para entender?

Seria hilário se não fosse tão triste.
Refiro-me aos anúncios na mídia a respeito de atendimento médico em todas as instâncias, federal, estadual e municipal.
Hoje vejo uma reportagem sobre a questão em Belo Horizonte, em que a Prefeitura Municipal organiza a marcação de consulta pelo SUS comemorando o fato de estar atendendo, hoje, mais de três mil pacientes oriundos dos mais variados municípios mineiros, vizinhos ou não. Em princípio, é exultante a notícia, não fosse o fato de que as marcações são feitas festivamente para o final de dezembro.
O que se pergunta é se as doenças também entram no acordo. Se automaticamente elas entram em recesso até o final do ano, quando o SUS poderá atender os seus portadores, sendo certo que nessa ocasião possivelmente um médico de plantão vai examinar o enfermo e pedir uma série de exames, para possibilitar o diagnóstico, que serão marcados, pelo mesmo, para no mínimo três meses após enfrentar uma fila imensa.
Enquanto tudo isso acontece o enfermo permanece sem saber o seu problema, sem ter um mínimo de atendimento, aguardando uma resposta de um médico que ao final das contas poderá dizer laconicamente que se trata de uma virose que será tratada por um medicamento que não poderá ser comprado por falta de recursos ou de uma moléstia mais grave que necessitará de um internamento que não pode ser efetivado por falta de vagas.
Ao final ocorrendo a morte do paciente a simplicidade de julgamento leva à execração pública do médico que está ali ganhando uma “ merreca”, sem medicamentos, sem aparelhos e sem instrumentos e sem qualquer tipo de suporte. A grande resposta a uma pergunta inquestionável sobre as causas de tudo isso, estará na leitura do texto constitucional feito por quem não tinha conhecimento de causa, repletos de demagogia que sem medir as consequências dispõe:
“Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. ” Ou seja, na cabeça oca dos ilustres constituintes o Estado deve estar em condições e garantir saúde gratuita em dados atuais a duzentos e dez milhões de habitantes, sejam eles ricos, remediados ou pobres. Isto é, uma igualdade entre desiguais garantindo ao milionário a mesma assistência reservada aos mais pobres.
Ainda que fossemos o pais mais rico do mundo, nem mesmo no aspecto operacional seria impossível tal coisa se 10 % dessa população necessitasse de assistência à saúde simultaneamente a ser atendida pela estrutura administrativa pública.
O problema, no entanto, é que no momento de aprovar esses textos os dignos legisladores cuidam tão somente de tirar cópia das suas emendas e pronunciamentos para enviar aos seus eleitores que iludidos acreditam ser tudo uma grande verdade, quando é na realidade uma grande mentira. O certo, mantendo a ideia da assistência a todos os brasileiros, seria acrescentar uma condição adicional de que essa garantia seria devida aos mais necessitados e aos demais mediante uma participação dentro das possibilidades de cada um.
O americano do norte não dispõe de serviço público de saúde, mas não deixa de ser atendido se estiver necessitado. Ao final da consulta ou de algum procedimento é apresentado um boleto do custo do atendimento. A pessoa pode não arcar com o valor exigido, por falta de disponibilidade, mas deve pagar o quanto tiver. Como exemplo a conta pode ser de dez mil dólares e a pessoa não pode pagar mais que quinhentos dólares, assim será.
No Brasil, pelo atendimento nada é exigido, mesmo para quem não seja necessitado, e o pior, é que pela cultura já implantada na mente do brasileiro, na maioria das vezes uma solução como a citada seria recebida com grande revolta.
E em todos setores do nosso quotidiano é assim. A Universidade pública, onde um dos maiores problemas administrativos é a falta de estacionamento para os veículos dos universitários, não recebe um centavo sequer pelo ensino ministrado, pela estrutura disponibilizada correndo tudo por conta do tesouro nacional que até subsidia os restaurantes universitários, quando poderia perfeitamente cobrar uma taxa qualquer dentro das possibilidades de cada um. Se no curso de medicina, a escola particular esteja cobrando uma parcela mensal de R$ 7.000,00, na faculdade pública cobrando cinquenta por cento dos mais abastados, vinte por cento dos médios, dez por cento dos mais necessitados teria uma ajuda significativa. Mas, se o governo tomar uma medida dessa natureza, será execrado e nas ruas uma manifestação numerosa será realizada por proprietários de carros do último tipo que protestarão pela medida arbitrária de desejar cobrar deles um mínimo pelo ensino que exigem ser gratuito.
Mas, o que tem a ver tudo isso com o objetivo do tema dessa postagem?
A questão é que os encargos da saúde, da segurança, da educação são considerados como despesas necessárias do orçamento público e qualquer centavo seria bem recebido.
Será que dá para entender?

Excelentes as matérias postadas

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