Assombração

Como diz o ditado: “Quanto mais eu rezo mais assombração me aparece”.

Estávamos, ao final do ano, vivendo uma certa tranquilidade com o recolhimento do Presidente em um refúgio para descanso.

Mas, nem tudo são flores no nosso jardim eis que, do nada, decide iniciar uma discussão publica sobre a vacinação infantil, sem nenhum proveito, com uma série de invenções de moda, chegado ao absurdo de determinar uma consulta pública, sobre o assunto, como se se tratasse de escolha de samba enredo para escolas de samba, em que todo mundo se arvora a meter o bedelho, conhecendo ou não de música.

Assim a opinião cientifica deixa de ter valor e o principal é saber o que diz a voz das ruas. Mas, na hora que a coisa aperta a grita é pela presença dos médicos.

Entretanto o que há de positivo na história é que enquanto o assunto era debatido nas ruas o próprio Governo estava tratando de adquirir os lotes de milhões de vacinas, ou seja, o Jair Bolsonaro bradava que não deixaria sua filha vacinar, mas o Presidente da República cumpria com o seu dever de adquirir todas as vacinas para serem disponibilizadas para a população gratuitamente e colocando o nosso país como um dos mais avançados no programa nacional de vacinação de todo o mundo. Com mais de setenta por cento de brasileiros imunizados com a primeira dose, com mais de sessenta por cento com a segunda dose e atingindo os quarenta por cento da dose de reforço é igual a soma de vários países da Europa em conjunto.

Mas voltando às assombrações, como se necessitássemos, um certo funcionário do Ministério da Saúde, da área de informática, se dá ao luxo de emitir um parecer contrário à decisão do CONITEC ( Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) defendendo que o combate ao corona vírus deve se dar com o cloroquina e que a vacinação não vale nada, apresentando, inclusive dados estatísticos, para desacreditar o posicionamento do referido órgão,  contrário ao chamado tratamento precoce e favorável à vacinação.

Considere-se que o documento aprovado pelo CONITEC é fruto de um estudo solicitado pelo Ministro da Saúde coordenado pelo Pneumologista e Professor Carlos Carvalho que se manifestou diante do posicionamento do Secretário Angotti, afirmando  que eles não trataram de imunizantes, já que o Ministério da Saúde não solicitou essa avaliação. Por isso, a comparação não faz sentido.”

O problema é que independente de quem tem razão, esse parecer que tem que ser enviado para o Ministro a quem cabe decidir, não poderia ser divulgado parcialmente colocando em xeque o próprio conceito do Ministério.

Sobre o mérito da eficácia da cloroquina há que se considerar a própria recomendação do fabricante do medicamento que não inclui em sua bula a cura do coronavírus.

Vou me permitir lembrar de uma história ocorrida da qual participei em uma propriedade rural, onde houve um acidente laboral em que um ajudante de nome Zé se utilizando de um machado para cortar um tronco de árvore atingiu o próprio pé provocando um corte profundo. Fui visitá-lo e tive a seguinte explicação, reproduzindo a sua linguagem:

“Doutô, fui cortá o tronco e  o machado deu uma torcida e pegou meu pé abrindo uma lasca que me fez ver estrela. Eu lavei cum água e sabão, e enrolei um pano, mas, zangou (é o mesmo que infeccionou). Casquei um fumo de rolo e misturei cum urina de porco, e botei na ferida. Daí eu fui à venda e o moço me deu uma injeção de nome Benzê da Silva que doi pra burro e não vale nada não. Cum meu remédio dois dias estava bem curado.”

Procurei me inteirar dos fatos e fui à venda à qual se referiu e procurei saber que medicamento ele tomou, destacando o fato que naquele Grotão, sem nenhuma presença de profissional da saúde, o botequeiro é o salvador da pátria e vende antibiótico e penicilina à vontade.

No caso presente ele me confirmou que aplicou 2.400.000 unidades de benzetacil ( Benzê da Silva) no Zé que era o suficiente para estancar a infecção na sua perna.

Aí está a questão. Depois de tomar 2.400.000 unidades de penicilina acha que curou com uma massa de fumo de rolo com urina de porco. Pois é…

Há que se perguntar o que tem a ver essa história com a tese da cloroquina?

O vírus tem um ciclo próprio e não tem nenhum remédio para a cura do paciente infectado, razão por que a alternativa é utilizar medicamento para amenizar os efeitos dos sintomas que venham ser cometidos no período. Mas, vencido o seu prazo ele se exaure naturalmente, tomando ou não um medicamento ineficaz, que as vezes também possam não oferecer sequelas. Claro que tomando vitaminas C, D e Zinco, Novalgina ou Tylenol e algum antialérgico, para melhorar a imunidade e combater dores musculares ou febre não vai curar mas alivia os efeitos. A inclusão de cloroquina e ivermectina (bom vermífugo) não vai acrescentar e nem prejudicar em nada.

Agora, daí a dizer que a vacina não vale nada e o bom são esses medicamentos é ir longe demais.

Mas, voltando às assombrações o hospedeiro do Supremo Tribunal Federal, Senador pelo Amapá, irrequieto, que foi vice-presidente da famigerada CPI, que não vai dar em nada pela fragilidade do relatório oferecido, volta à cena para formar outra CPI porque o Presidente disse que não vacina a filha e agora para incluir a fala do secretário Angotti Neto.

Ou seja, gastar uma soma significativa de recurso público para montar outro espetáculo triste como o outro que está provocando um esforço imenso ao Ministério Público para localizar a soma de crimes que imaginaram a exemplo do crime contra a humanidade e genocídio objeto de uma denúncia ao Tribunal de Haya, cujo relator sequer aceitou receber a Comissão.

Esse sim, é a própria assombração!!!! E como é chato!! Um xarope.

Mas para finalizar mostro uma prova de jornalismo distorcido.

Nesse fato, em que um secretario  do Ministério da Saude encaminha ao Ministro uma nota interna sobre a questão do tratamento precoce e o plano de vacinação, pendente de apreciação e com um parecer do CONITEC em sentido contrario, a Folha de São Paulo e G1 publicam em Manchete: Ministério da Saúde contrário à vacinação, e na própria matéria publica :

“Após publicação da reportagem, o Ministério da Saúde disse em nota que “em nenhum momento afirmou que o referido fármaco é seguro para tratamento da Covid-19, nem questionou a segurança das vacinas, que é atestada pela agência reguladora”.

“A interpretação foi retirada erroneamente de uma manifestação de nota técnica da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos (SCTIE). A secretaria informou que observada isoladamente não traduz o real contexto, explicitado no próprio texto. A interpretação de que ela afirma existência de evidências para o medicamento cloroquina e não existência de evidências para vacinas é errada e descontextualizada”

Pergunta-se: como justifica então essa Manchete?

É difícil de engolir…..

5 comentários em “Assombração

Adicione o seu

  1. E o negócio tá feio confusão em tudo Não estou entendendo mais nada enfim quando o negócio estourar nós já não estamos aqui

Excelentes as matérias postadas

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: