INVOLUÇÃO

Os nossos dias estão sendo consumidos numa rapidez impressionante e com isso os costumes vão sendo diluídos de forma gritante. Já tive oportunidade de alertar que a juventude que deveria estar sendo preparada para um novo porvir, assiste a devassidão vivida no Império Romano se agigantando a passos largos nos nossos dias.

 Ninguém respeita ninguém e até mesmo no âmbito familiar o descalabro é evidente. E, há um sensível distanciamento entre gerações que não conseguem interagir, tamanha a discrepância existente entre elas.

A propósito, permito-me transcrever, sem autorização, é verdade, um pequeno relato de um fato ocorrido com uma estimada amiga, Cris Moura, que nos brinda com seus comentários, que demonstra a dificuldade de enfrentar situações decorrentes dos conflitos acima comentados.

“Tempos atrás, ao entrar em um banheiro feminino público, me deparei com um homem, muito jovem, que me pedia desculpas sem parar, e vendo meu espanto, esse homem colocava as mãos no peito e me pedia perdão, recuando para trás.

Eu pensei na hora, ué, ele que tem que sair, o que que eu faço? Espero, ou saio antes dele?

Depois vi que era uma menina, de olhos tão lindos, claros, cabelos máquina zero, gravata e algo como um terno bege. Depois que caiu a ficha, que entendi a situação, me deu vontade de dizer, não me peça desculpas, näo faça isso.  Passado o primeiro momento, paramos e conversamos, e ocorre que o pedido de desculpas tinha origem em algum fato pretérito, algum evento desagradável que ela não me revelou. Trata-se de pessoa extraordinária, alguém de quem gostamos logo.
 
Não sei se me fiz entender,  e passando longe de questões sobre opções de a, b ou c, o que mais chama atenção hoje em dia é a falta do afeto que devemos ter com os outros, seja qual for a situação, e como pessoas mais sensíveis sofrem com o alarde dos falatórios, comunicações e redes sociais. Alguns que encontramos estão tão machucados, não aceitam mais nem elogio nem bom dia, estão travados por tanta abordagem maldosa. Algumas vezes, de tão feridos, já pedem desculpas sem razão.”

Uma bela descrição, feita com muita delicadeza sobre como se comportar diante de uma situação que, hoje, toma um aspecto anômalo em face do modernismo eleito no âmbito social.

E o pior é que tudo isso ocorre amplamente em todos os setores sem distinção e ao longo dos tempos.

Lembro-me que em 2021 em uma postagem intitulada “Liturgia” eu destacava a fala de um parlamentar, presidindo uma sessão da mais importante Comissão Tecnica da Câmara dos Deputados, diante do comportamento reprovável de integrantes daquele Órgão:]

“Tanto quem assiste as reuniões da Casa, como os parlamentares nas comissões e, assiste em plenário, precisam estar atentos para resgatar o que no passado sempre foi muito festejado: a liturgia das atividades parlamentares, solicitando serenidade e calma para que  o debate possa acontecer  de forma técnica e com respeito”

Tivemos agora na Olimpíada realizada em Paris, uma representação dita como artística, de muito mal gosto e ferindo o princípio litúrgico do cristianismo. Se foi proposital é lamentável e se não foi é preocupante mostrando que uma cena dessa natureza é considerada como corriqueira.

Os meios de comunicação, que por sua concepção deveria ser um instrumento educativo, torna-se cada vez mais presente na família, nas ruas, nas escolas, por meio de suas novelas, em horários nobres ou não, um condutor de maus costumes e de desmantelamento social, sem nenhuma restrição. O que mais importa é o lucro empresarial.

No texto acima referido eu publicava também o dito por Adlai Stevenson, político americano: “A imprensa separa o joio do trigo e publica o joio. Se meus inimigos pararem de dizer mentiras a meu respeito eu paro de dizer verdades a respeito deles.

E Juca Chaves, denominado o menestrel maldito, compositor brasileiro, com sua verve maldosa publicou: “imprensa é muito séria, se você pagar eles até publicam a verdade”. 

Em visita à Universidade de Brasília, aonde fui, a convite de um professor titular da cadeira de Ciência Política participar de uma aula sobre o período republicano contemporâneo no Brasil, fiquei horrorizado com a pichação nas paredes externas das salas de aula com uma linguagem e desenhos pornográficos inteiramente e notadamente autorizados. Diante de minha estupefação fui advertido que eu deveria me atualizar para conviver.

De fato, estou a reboque da história.

No entanto, será que estou sendo coerente ao ligar essas distorções aos dias de hoje?

Infelizmente pude constatar que a nossa evolução é bem precária pois em 1960, ou seja, sessenta e quatro anos passados o compositor Juca Chaves lançava uma parodia que eu já tive oportunidade de postar denominada Caixinha Obrigado que se datasse de hoje não causaria qualquer espanto, tal a contemporaneidade com que se apresenta.:

Juca Chaves

A mediocridade é um fato consumado
na sociedade onde o ar é depravado
marido rico, burguesão despreocupado
que foi casado com mulher burra, mas bela
o filho dela é político ou tarado
Caixinha, obrigado!

A situação do brasil vai muito mal;
Qualquer ladrão é patente nacional;
Um policial, quase sempre, é uma ilusão
E a condução é artigo racionado.
Porém, ladrão… isso tem pra todo o
Lado!
Caixinha, obrigado!

O rock’n’roll, nesta terra é uma doença,
e o futebol, é o ganha pão da imprensa
vença ou não vença, o Brasil é o maioral
e até da bola, nós já temos general
que hoje é nome de estádio municipal
Caixinha, nacional!

a medicina está desacreditada
penicilina, já é coisa superada
tem curandeiro nesta terra pra chuchu
Rio de Janeiro tá pior que Tambaú
e de outro lado, onde está o delegado
Caixinha, obrigado!

Dramalhão, reunião de deputado
é palavrão que só sai pra todo lado
Se um deputado abre a boca, é um
atentado
E a mãe de alguém é quem sofre toda vez
No fim do mês… cento e vinte de ordenado.
Caixinha, obrigado!”

E AGORA?

Excelentes as matérias postadas

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