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Cracolândia em New York

Vejo hoje, no programa Bom dia Brasil, notícia de New York sobre a conduta do governo local para desativar o consumo de drogas, e em especial o crack nas ruas daquela cidade americana.
Regra básica: Qualquer pessoa abordada portando qualquer quantidade dessa droga é apreendida e levada imediatamente a um Tribunal especializado onde é questionada pelo Juiz sobre sua escolha: aceita um tratamento por conta do Estado pelo período de um ano ou é presa pelo tempo prevista na condenação que receber. Um detalhe: aceita a proposta de se tratar é submetida em cada 90 dias a exame de sangue para comprovar se o tratamento está sendo correspondido ou se o usuário não está cumprindo as metas estabelecidas. Caso contrário volta à prisão. Os resultados positivos foram da ordem de 80% em um ano.
O programa é fundamentalmente do governo, mas com o apoio total da sociedade, pessoalmente, ou através de associações e do empresariado.
Vemos assim, que, havendo vontade política e cívica a questão se resolve. Mas essa vontade a que me refiro se reflete em vários pontos.Em primeiro lugar o individuo é enviado imediatamente a um Tribunal que se encontra disponível. E se aceitar o tratamento, vai encaminhado a um estabelecimento também especializado, equipado dignamente de recursos humanos e tecnicamente preparado de modo que o internado tenha condições de se recuperar. E se não aceitar é recolhido à prisão, que não se equipara a um “chiqueiro” com superlotação, e que lhe seja possível raciocinar e até mesmo alterar sua decisão para ser encaminhado ao tratamento, em suma, se recuperar ao invés de se delinqüir.
Faço estas observações destacadas, antes de saber o porquê dessa falta de solução nas cidades brasileiras.Estive há pouco tempo em São Paulo, onde à noite passando nas proximidades da Praça do Arouche, salvo engano nas imediações da Rua Duque de Caxias, notei uma numerosa
aglomeração gerando uma barulhada incrível e, sem que eu pudesse visualizar o que estaria ocorrendo, o motorista do taxi com muita naturalidade esclareceu que na verdade se tratava de encontro noturno de drogados e traficantes.
Procurei me inteirar do assunto e tomei conhecimento que o Governador Geraldo Alckmin estaria buscando soluções e que dentre elas, a do internamento compulsório em órgãos especializados que já estavam sendo preparados.
Um dos problemas para essa ação está na falta de estrutura no país.
Pelas noticias pelo menos em São Paulo está se fazendo alguma coisa. Mas e no restante do país? Podemos iniciar por Brasília, Capital da Republica, que assiste o mesmo drama em pleno centro da cidade e, sendo divulgação, ao lado de postos policiais, sem qualquer incomodo. A desculpa é a de fala de efetivo, quando a questão não está restrita a esse aspecto. É verdade que em datas cívicas ou afetivas grupos de voluntários se arriscam a ir às altas horas a esses locais para tentar convencer aos usuários com palavras doces ou mesmo levando alimentação para os moradores de rua que se misturam aos consumidores de drogas. Mas e daí, o que ocorre após esse ato beneficente que não provocam qualquer tipo de reação íntima naqueles beneficiários momentâneos?
E porque não se toma atitudes mais drásticas e eficazes? Porque não se faz como os governantes norte-americanos gastando na implantação de estruturas capazes de enfrentar o problema?
É verdade que entre nós, providências como às de New York: ou tratamento ou cadeia, mesmo que não fosse como as daqui, onde os estabelecimentos prisionais são de péssima qualidade, a não serem os presídios federais para presos de alta periculosidade, altamente sofisticados e sem superlotação. E estabelecimentos de recuperação a não serem ocasionalmente, até mesmo em casas particulares por iniciativa de seitas, religiões e outras organizações, também não existem. E Tribunais para solucionar imediatamente as questões muito menos. A pessoa vai
presa e com duas alternativas: ou é solta logo em seguida ou fica jogada no cárcere sabe-se lá por quanto tempo.
E, as organizações de Defesa dos Direitos Humanos, que difícilmente aparecem para defender os das vítimas, surgiriam para protestar contra a
coerção de não permitir que o usuário continue na rua perturbando a vida dos outros, ou mesmo de algum membro do Ministério Publico e o próprio Judiciário tratariam de soltar o que preferisse ser preso ou de tirar o usuário do tratamento.
Eu estou afirmando isto, porque já nos idos de 1999, estive respondendo pela Secretaria de Segurança Publica de Minas Gerais, e, na visita que fiz às cadeias públicas da Capital, e de outras grandes cidades, imagino às do interior, as instalações eram péssimas, sem nenhuma seletividade, assassinos misturados com traficantes, com ladrões de galinha, e às vezes por absurdo até mesmo em casos de prisões civis (por falta de pagamento de pensão) e senti muita dificuldade em buscar soluções pela interferência dessas instituições. Felizmente quando deixamos o Governo em 2003 à situação estava pelo menos no que se tratava de acomodações bem mais aliviadas pelo belíssimo trabalho realizado pelos secretários Dra Ângela Pacce, da Justiça e do Deputado Federal Mauro Lopes na Segurança Publica.
Vamos nos juntar, em busca de soluções e de cobrar das autoridades governamentais, em todos os níveis, providências como as tomadas pelos norte americano, mas onde as leis são editadas com objetividade e principalmente, para serem cumpridas.
Finalmente, é bom lembrar estranhando que nas manifestações recentes não vimos esse tema ser tratado. Será por quê??? Quem sabe….

2 respostas »

  1. Estou radicada nos USA desde 1991,portanto com o passar dos anos fiquei um pouco por fora da realidade politica do Brasil. Muito bom esse artigo “Cracolandia em New York”…gostei muito.
    Estou tentando me reajustar com o andamento politico do pais a mais ou menos 1(um) ano.Parabens pelo Blog, Dr Henrique.Infelizmente so fiquei sabendo dele agora.
    Um grade abraco
    Marylene Daldegan

    • Prezada Marylene,

      Agradeço a sua atenção e principalmente a divulgação. O meu objetivo coim esse blog é realmente que as pessoas possam compartilhar com fatos frutos de minha experiência na área pública e política. Mas ao mesmo tempo espero as críticas quando forem necessárias. Grande abraço Henrique

Excelentes as matérias postadas

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