REFUGIADOS

Estamos vivendo um período na vida que espero ter um fim o mais rápido possível dada a sua irracionalidade que espelha a desagregação das relações humanas, incluindo a solidariedade que sempre existiu entre os povos.

O quadro mais triste e constante que me enseja esse comentário é a imensa massa de refugiados que habitam nos corredores das fronteiras sujeitas as mais diversas situações, mas sempre dependentes do humor e da disposição dos habitantes daquela terra em que aportaram.

Alguns países, é bem verdade, oferecem condições, para abrigá-los, na maioria das vezes, precárias e improvisadas para evitar um grau de miserabilidade que os caracteriza.

Esses por sua vez fogem do país em face de guerras que os assolam e outros por falta de um mínimo de condições de vida que lhes é oferecido.

Em Bangladesh por exemplo o trabalho infantil   é admitido regularmente e não é raro pelas ruas garotos de oito a nove anos transportando bagagens pesadas na cabeça para garantir um prato de comida, e na maioria das vezes não têm ninguém no mundo, com a morte precoce da mãe e o abandono por parte do pai.

O resultado de tudo isso é o quadro de refugiados buscando abrigo pelos caminhos do mundo.

Há poucos meses, eu pensava que já havia modificado o quadro, no Aeroporto de Guarulhos, em que se via nos corredores uma série de barracos de lona (tipo de acampamento) na melhor das hipóteses, além de divisões feitas com as bagagens como abrigo por não terem para onde ir, de cidadãos afegãos que fugiram do seu país por razões políticas, com a tomada do Poder pelos talibãs.

A significância desse amontoamento é tão grande que a Prefeitura da cidade, chegou a instalar um equipamento nesse Aeroporto denominado Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante.

Segundo informações no site da Prefeitura, de 2022 para cá mais de 3.000 pessoas foram abrigadas com acesso a residência de passagem e alimentação, vacina, o que constitui um orgulho para o Brasil em termos de trabalho humanitário, garantindo o mínimo para sobreviver e oferecer carinho respeito e dignidade.

O Prefeito Guti, de Guarulhos se expressou na apresentação de um equipamento de socorro para esses desabrigados.

“Fico muito feliz em estar aqui hoje. Muitos se dedicaram de corpo e alma para que conseguíssemos acolher nossos irmãos, que não conhecemos, porém temos a obrigação

O apoio e a parceria das diversas instituições da sociedade civil no atendimento aos migrantes e refugiados foram reconhecidos pelo gestor da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social. “A inauguração deste equipamento é motivo de muita alegria, é quase um sonho. É a efetivação de uma política pública no município que possibilita dar mais bem acolhida aos migrantes que chegam pelo aeroporto de Guarulhos, não apenas aos afegãos, mas aos que fogem de seu país em situações de medo da morte, perseguição e deixam para trás sua cultura e família. Agradeço o auxílio e a colaboração da sociedade civil no atendimento a eles”, disse Cavalcante.

É um exemplo do trabalho feito por um Prefeito de uma cidade do Estado de São Paulo para atender 3000 afegãos refugiados de seu país.

Em 2020 haviam registrados junto ao   Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, o número de 82,5 milhões de almas sabe-se lá em que condições de vida.

Não foram poucos os casos denunciados de fuzilamento em alto mar contra embarcações lotadas de famílias que buscavam um lugar ao sol e, também de países, principalmente, europeus, que instalaram barricadas para impedir a entrada desses que se tornaram párias em busca de um lar, ou, na melhor das hipóteses deportaram aqueles desesperados para seus países de origem.

É muito difícil para nós, tendo o direito de viver tranquilamente no refúgio de nossos lares, junto a nossa família, assistir um quadro dantesco como esse.

Com o pensamento voltado para essa massa de seres humanos, transcrevo um poema escrito por Gabriel Henrique Perez Anker Hargreaves, meu querido neto, que com muita generosidade oferece uma ode a esses pobres viventes que nem mesmo têm o direito de saber em que se transformaram no seio da população mundial.

“ No vasto campo de um horizonte improvável

Sob o mesmo céu de lírios que brilham

Na noite o navegar de um cisne branco

Vejo a paisagem de um silêncio cuja memória

É tão antiga quanto o arquear bandeiras impotentes

A registrar lugar nenhum,

Pátria de tantos cujo exílio traspassa as

Fronteiras da palavra

E que habitam a matéria viva da memória

E transitam em terras incertas e de mãos

Em cuias fazem brotar águas do expurgo.

Àqueles que pertencem aos não-lugares desta vida,

À margem do eterno refúgio do tempo,

Arqueia o cisne branco seu pescoço em reverência

Tornando-se um no reflexo da noite.”

Vale a pena refletir….

 

 

 

 

3 comentários em “REFUGIADOS

Adicione o seu

  1. Como sempre , resta apenas parabenizar , não só pela matéria abordado , mas também pela leveza ao trazê-lo à reflexão.

  2. Ao texto do avô, Gabriel faz o fecho com versos de observador atento ao drama e sofrimento de milhares de pessoas impelidas a deixar suas pátrias,
    Que o jovem Gabriel continue a garimpar palavras, expressando sua sensibilidade e sentimentos através da poesia. Parabéns aos dois pela abordagem de comovente e complexo tema que, por suas consequências, a todos nós atingem.

Excelentes as matérias postadas

Blog no WordPress.com.

Acima ↑