TUDO ERRADO

Hoje, por volta de seis horas da manhã acordei disposto a ir à TV mais especificamente no You Tube em busca de notícias do dia.

Há quem diga “logo no you tube cheio de Fake News “, Sei que há um risco mas pela lógica podemos selecionar as matérias para balizar  as nossas conclusões com um mínimo de engano.

Tão logo ingressei no site deparei com uma entrevista, no Programa Roda Viva, com o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Luiz Roberto Barroso.

Em princípio, confesso, fiquei a pensar o que o magistrado estava fazendo ali?

Ouvindo perguntas de caráter político, uma vez que a maioria ou a totalidade era formada por jornalista dessa área. Mas por outro lado, pensei eu, qual a surpresa, se atualmente eles vivem na imprensa até para discutir sobre processos em andamento na Corte.

 Mas por lei eles são proibidos de vazar méritos dos autos…..a regra é, qualquer estudante sabe, as partes e o magistrado só se pronunciam nos autos…. mas, onde, no Brasil?

O que é mais grave é a abordagem sobre atos supostamente legais, mas imorais (sem referência…) praticados pelos Ministros da Alta Corte, como o fato de um deles ter ido ao jogo da liga de campeões de futebol na Europa cercado de seguranças com diárias pagas pelo STF, ou seja, dinheiro público.

 Diz ele, em resposta, que eles necessitam dessa proteção porque hoje, no Brasil essas autoridades estão sujeitas até a sofrer agressões…. será porque somente eles estão sujeitos a isso além do atual Presidente da República?

O ex-Presidente anda no meio de multidões. O Presidente Itamar Franco foi em minha companhia a uma loja de shopping em Brasília comprar uma televisão (com dinheiro dele) .

Os visitantes ao Memorial Itamar Franco em Juiz de Fora, verão ao lado do Fusca de sua propriedade, um aparador portando cópia do cheque usado na compra desse veículo…

Ficou ainda Sua Excelência com saia justa (como se diz popularmente) quando foi perguntado sobre a invasão da Corte em competências do Legislativo e do Executivo, falou, falou e ninguém ouviu porque realmente nada explicou ou respondeu…além de balbuciar…

Ficou igualmente sem saída quando questionado sobre fórum privilegiado e sua extensão a pessoas que não o possuem….

Não ficou confortável ainda para falar sobre a insegurança jurídica vigente no país.

Enfim, reafirmo, o Presidente do STF não deveria estar ali…

Do mesmo modo vejo em jornais falados na TV a sua presença no Rio Grande do Sul no palanque ao lado do Presidente da República em evento político realizado sobre a tragédia ocorrida no Estado… Mas porquê? O que ele estava fazendo lá? Creio até em sua boa intenção, mas alguém deveria ter lhe aconselhado a não ir….

E outros integrantes da Corte que a todo momento são vistos participando de congressos, até no exterior sujeitos a ser questionados sobre quem pagou a viagem…

O Presidente Itamar Franco demitiu um seu Ministro da Fazenda, amigo fraternal, que em viagem aos Estados Unidos coincidentemente teve, ocupando   a poltrona ao lado daquela que utilizava, um diretor de uma empreiteira… Um jornalista que viajava no mesmo voo fez matéria noticiando que o Ministro viajava em companhia de empresário e suspeitava que o custeio se deu pela empresa, o que não era verdade. No regresso ao Brasil, diante da repercussão estrondosa ocorrida sobre o fato, o Ministro compareceu ao Senado e da tribuna apresentou para a vista dos senhores Senadores, cópia do cheque que comprovava a compra de sua passagem.

Para alguns o fato estava mais que ultrapassado, mas não para o Presidente que chamou seu amigo e comunicou a sua exoneração.

Tentei ponderar sob o argumento que a medida seria um tanto severa porque estaria mais que evidente a falsidade da acusação.

O Presidente muito emocionado, em face da sua amizade com o exonerado, me olhou fixamente e me disse “ no  momento em que o Ministro da Fazenda necessitava mostrar o cheque que custeava suas despesas pessoais para provar sua honestidade , o  governo  teria perdido toda sua credibilidade.

As sessões do Congresso Nacional são carentes em termos de postura ética. Parlamentares trocam socos no Plenário e alguns debocham, xingam o Presidente da Câmara sem nenhuma cerimônia e o Presidente do Senado constantemente é abordado de forma inquisitiva sobre sua passividade diante dos excessos do STF.

Autoridades convidadas para comparecer nas Comissões, fato normalíssimo do regime democrático, são agredidos verbalmente e humilhados pelos integrantes que deveriam estar atentos as explicações que justificaram o convite ou convocação.

Será que os novos tempos exigem essas atitudes?

Ao tempo em que integrava o corpo de assessores da Câmara dos Deputados pouquíssimas vezes assisti um desatino dessa natureza,

O Presidente da República compareceu ao Plenário da Câmara dos Deputados foi vaiado e ofendido com motes injuriosos, sem nenhum respeito à liturgia do cargo, de mais alto dignatário do país, seja ele do partido que for.  Dir-se-á que isso é próprio da democracia, mas não é.  Isso é próprio do baixo nível a que chegou o quadro de parlamentares no Brasil.

Por onde andam os grandes oradores que ao assumir a tribuna promoviam um silêncio sepulcral e ao descer ouvia os aplausos de seus correligionários e o respeito de seus opositores. A questão é que a demonização da classe política afastou de vez a participação de partidários mais qualificados dificultando para os partidos o recrutamento de melhores quadros.

Pode parecer saudosismo, e se for que seja, mas quando vejo as Casas do Congresso Nacional apequenadas, coagidas, desmoralizadas, sinto-me obrigado a invocar os dirigentes da Câmara e do Senado, no auge do movimento militar de 1964, em que pairava o medo na cabeça dos políticos ameaçados de cassação dos seus mandatos, essas personalidades não se intimidavam e faziam valer sua autoridade.

Moura Andrade descia do avião no Galeão foi abordado por um Capitão do Exército em tom agressivo de interpelação e lhe disse com a solenidade da sua voz: “Japona não é toga e quem está dentro dela não é Juíz”.

Adauto Lucio Cardoso resolveu garantir o asilo político ao Deputado Francisco Julião, comunista, líder das Ligas Camponesas, na Embaixada da Hungria e saia do prédio da Câmara levando o parlamentar pelo braço quando recebe a tentativa de ser barrado   por parte de um Coronel que comandava um pelotão na porta da denominada Chapelaria e que não desejava permitir a saída de Julião.  O presidente da Câmara da Câmara afastou o braço do militar de sua frente, dizendo “ me respeite sou o Chefe de um Poder da República, e obteve como resposta que aquele representava o Poder Militar. Adauto deu um sorriso e disse ao então incauto, mas supostamente poderoso interlocutor: “Poderia ser se isso existisse e caminhando para o carro oficial levou embora o deputado e o entregou ao Embaixador Húngaro.

Chega a ser hilario achar que algum da atualidade teria essa coragem e altivez

6 comentários em “TUDO ERRADO

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  1. Parabéns, nosso eterno Ministro! Sua análise ponderada , inteligente e necessária, aborda tudo o que os brasileiros de bem, gostariam de bradar em alto e bom som.

  2. Infelizmente o conjunto dos nossos representantes , não se dão ao respeito . Se perdem

    em falas que apenas rendem cliques . Enquanto o judiciário age quase que monoliticamente. Sem autofagia . Hoje muito comum nos parlamentos. Ovidio Teixeira.

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