Estamos vivendo um período de difíceis definições, não sei se em face da transição de gerações, ou se há uma transformação em curso como a promovida pela Arca de Noé, o fato é que a conta não fecha. Por mais que busquemos uma explicação lógica, os elos não se entrelaçam. Há uma incompreensão global e, justamente, quando mais se exige o contrário.
Não é somente no Basil. Esse é o problema…. é no mundo todo. Há uma tendência destrutiva e uma insanidade desenfreada.
Por mais que a gente queira se ver longe dessa saraivada de más notícias é cada vez mais presente.
Víamos, diariamente, o noticiário da televisão trazendo os horrores da situação bélica de Gaza, depois a entrada de Bangladesh, da Ucrânia contra a Russia, Sudão e Sudão do Sul, Nigeria, Ruanda, Mali, Burundi sem falar em Venezuela, nosso vizinho em franco conflito eleitoral com lances bastante idênticos ao ocorrido entre nós, quando as questões políticas são decididas pelo judiciário, por conta do próprio arbítrio ou se provocado por facções partidárias aliadas.
No país vizinho, que já ocupou lugar privilegiado no ranking da economia mundial com renda per capita superior à nossa, amarga hoje nichos de pobreza extrema responsável pela fuga em massa de cidadãos venezuelanos para o Brasil e outros países sul-americanos. Enquanto isso uma parcela de mandatários usurpa riquezas incalculáveis nos paraísos fiscais como instrumentos de perpetuação de um grupo no poder.
Por outro lado, a sociedade é conduzida pela mídia de caráter tortuoso sem nenhum compromisso e pelas redes sociais que a própria essência é livre de regras ou parâmetros manipulando a opinião pública seja para o mal ou para o bem.
Agora, entretanto, entre nós estamos entrando em uma seara nunca desejada, refletida no descrédito do Poder judiciário que traz consigo a insegurança jurídica pedra angular do prestígio nacional. São investidores, empresários, industriais que deixam de ver no Basil um campo ideal para seus aportes por esse fator negativo.
Para perturbar o nosso ambiente, surge, inesperada e surpreendentemente matérias em mídia, até então silente ante os descalabros reclamados por grande parte da população, denunciando práticas inaceitáveis nos âmbitos do Judiciário e que acirra os ânimos no Congresso Nacional e por consequência grande parte da população que de perplexa, passa à indignada com as revelações dos atos ante democráticos e muito menos republicanos por parte de quem se espera por questões institucionais, seja o guardião constitucional.
Forma-se então um ambiente de desesperança e descrédito nas instituições que por sua grandeza ainda preservava o respeito e acatamento da sociedade, já que seus integrantes há muito tempo já perderam a aura que os sustentavam fazendo com que sejam, hoje, considerados vestais paridas que não merecem nenhuma consideração.
Qual é o cenário que vislumbramos para um futuro que será dirigido pela geração de nossos netos que está sendo moldada nesse ambiente conturbado, beligerante e descompromissado?
O que é mais grave é constatar que o apelo maior da sociedade brasileira é a transparência que há muito tempo não nos é oferecida e a consequência é que em dado momento, venha de onde for, a verdade surge, seja pelas mãos de antigos partícipes que cansaram da cumplicidade resolvem abrir a “ caixa preta” ou por algum descuido dentro do sistema.
Essa minha crença de que esse tapete não permanece eternamente sem ser levantado está baseado nas célebres palavras de Abraham Lincoln:
VOCÊ PODE ENGANAR ALGUMAS PESSOAS O TEMPO TODO E TODAS AS PESSOAS ALGUM TEMPO, MAS VOCÊ NÃO PODE ENGANAR TODAS AS PESSOAS O TEMPO TODO.
Caro Dr,
É mesmo abismal perceber que o mundo já está em guerra. Eu compartilho do seu pensamento, que caminhamos a passos largos para uma revolução. Tenho medo de que tipo será, mas esse é outro traço: o medo. Temos medo de tudo, mas não suportamos nada. Só sei, e defendo que estamos vivendo uma drástica transição, para onde, ou quais serão suas proporções, só o tempo, que acredito ser pouco, dirá.
Deixo ainda a frase:
Se o homem faz de si mesmo um verme, ele não deve se queixar quando é pisado.
Immanuel Kant – A doutrina da virtude (1964).
Patricia MP