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AZEDO FALOU…

LUIZ CARLOS AZEDO, meu amigo, colunista político do Correio Braziliense escreve na edição de hoje, sobre os modos e costumes através dos tempos e até nossos dias.

Lembra ele por exemplo, de uma prática comum dos colonizadores ibéricos que segundo o Padre  Antonio  Vieira ( 1608-1697) ” chegavam pobres às Índias ricas e retornavam ricos das Índias pobres”. É que dentre muitos sermões  que proferiu  sobressai o do Bom Ladrão perante os altos dignatários portugueses em que atacava os que se valiam da máquina pública para enriquecer ilicitamente. Dizia,  lembra Azedo ” São companheiros dos ladrões, porque os dissimulam; são companheiros dos ladrões porque os consentem; são companheiros dos ladrões porque lhes dão postos e poderes; são companheiros dos ladrões porque talvez os defendem; e são finalmente  companheiros dos ladrões porque os acompanham e hão de acompanhar ao inferno, onde os mesmos ladrões os levam consigo.”

Mirando-se no Brasil desde então, destaca a má política presente nos nossos costumes e que somente agora com a Lava Jato esse mecanismo está sendo enfrentado e cita que ” Graças à Constituição de 1988, que conferiu autonomia ao Ministério Público Federal e fortaleceu os órgãos de segurança e coerção do Estado, principalmente à Receita Federal e à Polícia Federal.” Talvez pudesse ter lembrado que essas disposições constitucionais a que se refere foram de iniciativa do então constituinte Itamar Franco que depois, como Presidente da Republica, sancionou a Lei Orgânica do Ministério Publico.

Mas quero ainda transcrever um trecho da postagem da coluna de Luiz Carlos Azedo intitulado ” Operadores”:

“Há dois tipos de políticos profissionais: os que vivem para a política como bem comum e os que vivem da política como negócio. Ambos têm a política como profissão principal, o que torna essa separação uma fronteira sinuosa. São conse­quências  desse fenômeno os critérios plutocráticos para constituição da camada dirigente dos partidos. Aqueles que têm mais recursos econômicos elegem mais e têm mais po­deres. Segundo MaxWeber, isso engendra a criação de “uma casta de filisteus corruptos”. A captação de votos e recursos valoriza os “operadores” capazes de montar “estruturas” elei­torais com empregos, dinheiro e poder. Promove as carreiras meteóricas, o troca-troca partidário e os escândalos, muitos escândalos. No lugar dos projetos de nação, que deveriam definir os partidos e seus programas, surgem poderosos pro­jetos pessoais de poder.

Na sexta-feira, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual contra o em­preiteiro Léo Pinheiro, da OAS, e o ex-tesoureiro do PT e ex- presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Ban- coop) João Vaccari Neto, além de outras 10 pessoas por irregu­laridades relacionadas a oito empreendimentos imobiliários. Vaccari está preso desde o começo da Operação Lava-Jato. Era o típico “operador” do PT. É acusado de associação criminosa, falsidade ideológica e violação à lei do condomínio, que diz que é crime contra a economia popular promover incorpora­ção fazendo afirmação falsa sobre a construção do condomí­nio, alienação das frações ideais do terreno ou sobre a cons­trução das edificações. Léo Pinheiro é acusado de associação criminosa e estelionato. A juíza excluiu da ação o ex-presiden­te Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-primeira-dama Marisa Letícia, Fábio Lula da Silva e Igor Ramos Pontes, por entender que a denúncia contra eles, relacionada ao imóvel 164-A do edifí­cio Solaris, foi apresentada pelo Ministério Público Federal e recebida pela 13a Vara Federal de Curitiba.”

1 resposta »

Excelentes as matérias postadas

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