ELEIÇÕES

Acabo de ler mais um artigo do estimado Presidente Sarney intitulado “eleições na Câmara”, em que relata o seu deslumbramento em sua primeira visita à cidade do Rio de Janeiro e também da oportunidade que teve de conhecer de perto as celebridades da política de então. E digo eu, sem saber que anos após, ele estaria estrelando a Galeria de Honra da política e das letras.

Aproveitando o gancho de seus relatos que cita como diferencial o modelo de escolha dos Presidentes das Casas Legislativas, que vinha definida pelos próceres partidários, de prestígio e comando inquestionáveis contando com a disciplina hierárquica de sua bancada que, por outro lado, tinha como indubitável a importância do apoio da legenda nas eleições. Ou seja, eleito por indicação de determinada agremiação trazia, com certeza absoluta, a garantia de obediência às diretrizes partidárias, indispensável para a continuidade de sua carreira.

Gostaria muito de poder vincular aquele modelo, aos dias atuais, cujo elenco partidário nem de longe se compara com os daquela época.

União Democrática Nacional (UDN), Partido Social Democrático (PSD) Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) Partido Social Progressista (PSP) Partido Republicano (PR) Partido de Representação Popular (PRP), Partido Libertador (PL), eram legendas de maior expressão no cenário político nacional, comandados por um colegiado, formado pela elite politica do país,  que garantia uma legitimidade indiscutível perante os seus filiados.

Hoje, temos partidos, de propriedade pessoal.  Têm donos e seus integrantes não guardam nenhuma similitude ideológica ou programática, tendo cada um o seu posicionamento particular uma vez que sua filiação se dá unicamente para atender propósitos imediatos. Daí o fato de não se submeter a nenhuma diretriz partidária e muito menos programática, até mesmo porque o Memorial apresentado para o registro partidário é mera cópia “ xerox”, sem nenhuma personalidade própria.

Por isso temos a presença do famigerado “ toma lá dá cá” porque cada um negocia o seu posicionamento.

Por isso, fantasiosamente, me surpreendo quando vejo a notícia de que determinado partido está dividido, pois, a unidade é uma questão indissolúvel para sua subsistência, a não ser que se contente com uma existência efêmera com objetivos menos confessáveis.

Se eu tivesse a oportunidade de dialogar com os negociadores atuais sobre a eleição dos membros das Mesas do Congresso, fatalmente lhes diria que não esperassem o cumprimento futuro de seus acordos e doassem um pouco do seu tempo para meditar pelo menos sobre duas frases de Maquiavel:

“Os homens mudam de governantes com grande facilidade, esperando sempre uma melhoria.

A política tem pelo menos duas caras. A que se expõe aos olhos do público e a que transita nos bastidores do poder.”

2 comentários em “ELEIÇÕES

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  1. Meu caro Hargreaves, Seus textos trazem a informação e a reflexão, que muitas vezes faltam também na imprensa. Maravilha. Abs Douglas

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