VERBA VOLANT SCRIPTA MANENT

Destinei um dia inteiro somente para pensar….na vida, sem delimitar as ocasiões, porque do passado, já passou e pouco adianta, do presente ainda estamos vivendo e do futuro ainda não chegou.

Ao final fiz um retrospecto dos pensamentos e não deu em nada!!

Resolvi então pesquisar sobre o pensamento, na fala de grandes mestres e celebridades que viveram em outros tempos e em diversas realidades.

Deparei com Julien Green, ensinando que “o pensamento voa e as palavras vão a pé: eis o drama do escritor.”

É exatamente nessa encruzilhada que a gente fica nesses dias de incertezas e contradições e principalmente com a quantidade de pronunciamentos desconexos com que somos brindados diariamente, até mesmo sobre assuntos que merecem ser tratados com maiores responsabilidades.

O que mais me atordoa é ver a politização da saúde e a banalização da morte.

A nossa expectativa é de que os debates ocorressem em clima de esforço conjunto em busca de soluções para extirpar do nosso convívio essa doença maldita que justamente por não conhecer a sua origem cada vez mais dificulta o seu desaparecimento.

Tínhamos no mundo em abril de 2020 mais de setenta vacinas em teste contra o coronavírus, hoje não sei quantas permaneceram ou outras que surgiram. O fato é que a ciência é uma só, os testes realizados levam em conta o imunizante em sua ação eficaz contra o invasor. Não importa a nacionalidade, desde que preencha as exigências dos protocolos que fundamentam a liberação.

Mas, a verdade é bem diferente. Durante algum tempo a “Geni do Chico Buarque” foi a Coronavac que, somente depois de uma longa novela recebemos por aqui, embora vários países já a utilizassem, porque, diziam, era chinesa e não era eficaz e hoje é a que está sustentando o Plano de vacinação nacional juntamente com a AstraZeneca desenvolvida no Reino Unido, na Universidade de Oxford e que foi a primeira a ser anunciada com grande comemoração. Mas foi outra lenga lenga até chegar entre nós, porque havia problema na armazenagem ou era por causa das reações adversas, e acabou nada sendo mudado e vindo assim mesmo. Temos ainda a caminho a da Pfizer que segundo a crítica não já está entre nós por pouco caso do governo. E todo mundo cai na falação, cada um dando o seu palpite mesmo não entendendo nada do assunto.

Nesse caso, o que na verdade rondou as negociações para a compra do imunizante foi uma questão contratual.  O Laboratório com toda razão exigia a isenção de sua responsabilidade para os casos de reação adversa. O Governo por sua vez exigia a retirada dessa clausula pois não queria correr o risco de processos por parte do cidadão que viesse ter uma reação mais grave, e para isso, o que não lhe faltaria seria o apoio de um juiz para assumir a decisão. O fato é que o Congresso pesando a equação do custo/ benefício, julgou por bem estabelecer em lei a autorização para o governo federal assinar o dito contrato mesmo com o risco apontado.

Já decorrido quase um ano, foi anunciada a Sputnik V de fabricação russa. A farra foi total. Redes sociais, imprensa, palpiteiros, todo mundo criticando acusando que se tratava de uma aventura absurda. Hoje, vários países da américa latina estão em uso e o Brasil celeremente correndo atrás da Anvisa para aprovar não só a utilização, mas também a fabricação dessa que será feita em Brasília pela União Química Farmacêutica.

Essa história cheia de percalço poderia ter sido abreviada e menos tumultuada se o tema não tivesse sido politizado.

A notícia de hoje é que a Johnson encaminha à Anvisa um pedido para fornecer ao Brasil 50 milhões de doses e futuramente, não sei precisar o tempo, estará chegando à Soberana de fabricação cubana que nem dá para imaginar o carnaval que se fará, sem antes memorizar que o medicamento genérico amplamente utilizado no país foi aqui implantado após estudos na ilha caribenha do Ministro da Saúde Jamil Hadad no governo de Itamar Franco.

Ontem o Presidente Bolsonaro promoveu um encontro da cúpula dos três Poderes e governadores para estabelecer um pacto positivo em favor da guerra contra a pandemia. Foram debatidos todos os obstáculos existentes e alternativas para sua solução.

O Presidente ao final fez um pronunciamento dando conta das medidas tomadas e o planejamento ajustado.

Caberia aos órgãos de imprensa e a sociedade se reunir em torno de um pensamento positivo e de esperança de um novo porvir para que tenhamos a tranquilidade de novos rumos.

Entretanto, o que agrada a esses desgarrados é jogar para baixo.

Uns noticiavam com desdém torcendo para que o nosso mandatário esteja mentindo e que nada vai mudar.

O Ministro da Saúde Queiroga afirma com muita vontade de acertar que o seu sonho é vacinar um milhão de doses por dia.

Foi o bastante para formadores de opinião em telejornais fazerem gracejos e até mesmo usar palavras agressivas com o objetivo de descrédito quando deveriam estar incentivando a população. E o que é mais grave é que não há nenhum absurdo nessa proposta, quando o governo dos Estados Unidos da América está aplicando três milhões diariamente. Mas a verdade não é um bom ingrediente para esse grupo.

Outra discussão se tornou tema do dia foi a questão do oxigênio hospitalar e passou a ser culpa do governo federal a baixa nos estoques em todo o Brasil. Ora, O Ministério da Saúde nunca foi fornecedor desse equipamento. Desde que me entendo por gente a White Martins, é a fabricante de produtos químicos e a ela cabe juntamente com os hospitais, públicos ou privados a responsabilidade de manter a disponibilidade em estoque. Esse planejamento de compra é unicamente atribuição de cada estabelecimento.

Na baixa de estoques motivada por uma demanda inesperada vem uma avalanche de cobranças contra o governo federal que se dispôs a colaborar para a solução do problema propiciando o transporte em aviões militares para o fornecimento em rincões sem acesso terrestre, mas sem o dever de fornecer o produto, uma vez que não é fabricante. Mas até CPI chegou a ser proposta para incriminar o Ministro da Saúde porque a White Martins não conseguiu suprir.

Tudo isso ocorre por força da politização do tema.

Chega a ser hilário, se triste não fosse a situação, um fato ocorrido nessa questão. A imprensa divulgou de forma bombástica que o governo da Venezuela socorreu o Brasil doando oxigênio para a Amazonia. A White Martins tem fábrica na Venezuela e fez uma transferência de estoque daquele país para o Brasil, sem interferência de governo daqui ou de lá.

Mas, o interesse não é o tema principal, a saúde, o interesse é debater o supérfluo com interesses menores.

A verdade é que enquanto a pandemia avança aceleradamente, aumentando a demanda junto aos hospitais e desaguando corpos nos cemitérios, não vemos uma ação conjunta de debelação de crises, e, ao contrário, as soluções não são tomadas porque existem as barreiras do egoísmo, da inveja, da política rasteira dos supostamente responsáveis pela saúde da população.

E nós, sociedade, fazemos o que?

Estamos divididos na preservação da vida:

Os que tem consciência do perigo e buscam obedecer às regras ditadas pelo bom senso e os que cinicamente afrontam irresponsavelmente as mínimas exigências sanitárias.

E os políticos?

Somos obrigados a ver os Partidos políticos e entidades como a OAB que deveriam estar na vanguarda dessa batalha cívica, se realizam   provocando o STF para falar sobre intubação, oxigênio, discussão de rua entre autoridades, conflitos entre governantes numa demonstração de não ter ou não saber o que fazer.

O pior é que a Corte Suprema perde um bom tempo para   se manifestar sobre isso, deixando de solucionar centenas de milhares de processos que acabam em gavetas tradicionais.

Por isso iniciei essa crônica falando no pensamento e me lembro de uma frase de Dzore Drzic: “Eu vou aonde me leva o pensamento. Talvez chegue à paz do meu coração”.

Para esses que usam e abusam da verborragia aconselho seguir a fala de

Abraham Lincoln: “É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida”

8 comentários em “VERBA VOLANT SCRIPTA MANENT

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  1. Renato Russo, o grande compositor, disse que “torcer para que um governo dê errado é desejar que o prédio aonde mora desabe, só porque não gosta do síndico.” Nada mudou! A imprensa e a oposição torcem para que o Brasil dê errado!

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