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RESISTÊNCIAS AOS MÉDICOS ESTRANGEIROS:VERDADE, PRECONCEITO OU RESERVA DE MERCADO?

Resistências aos médicos estrangeiros. Verdade, preconceito ou reserva de mercado?

Após as manifestações nas ruas sobre grandes temas nacionais, os referentes à saúde foram os que mais atenção chamou, especialmente por parte do governo federal.

O diagnóstico já por demais conhecido e sem perspectivas de solução foi: a falta de médicos.

 Mesmo em Brasília, que por ser Capital da Republica, onde se esperava um quadro menos caótico, a situação não se diferencia dos demais rincões do país.

Nunca foi necessária uma grande auditoria para as conclusões óbvias. Basta apurar que a maioria dos médicos da rede publica (leia-se SUS, Hospitais públicos e particulares, Setores médicos do Legislativo e Judiciário) têm mais de um ou até três empregos o que é permitido pela própria Constituição, como exceção de acumulo de cargos pelo servidor público, demonstrando o reconhecimento da carência desses profissionais no país. Ora, além dessa defasagem no mercado de trabalho especializado há ainda a clara concentração desses nos grandes centros, seja pela busca de maior visibilidade, conforto, maior acesso ao progresso tecnológico e clientela supostamente de mais alta renda familiar. Com isto o restante da população, sofre com a falta de facultativos para o seu atendimento, sem falar dos grotões que nunca tiveram um cuidado básico e morrem à mingua.  Há que se destacar que ninguém pode condenar essa opção dos profissionais, que têm todo o direito de escolher o melhor para sí, e a alegação é de que as Prefeituras embora ofereçam altos salários acabam por não cumprir com o pagamento ajustado.

O governo numa tentativa de suprir essa demanda cria um programa denominado “Mais médicos”, com um salário garantido para o exercício profissional em locais pré-determinados. O resultado é por demais conhecido, não só compareceu um numero inferior ao mínimo esperado como também se noticia a prática condenável de boicote, estimulada pelas associações e conselhos profissionais.

Em nova investida o governo busca contratar médicos formados em outros países gerando revolta geral por parte dos médicos brasileiros.

Pergunta-se: o que querem afinal? Reserva de mercado? Não pode ser, uma vez que a lotação desses profissionais será feita em local refugado por eles que tiveram a primazia na convocação.  Justificam sua resistência alegando má formação profissional nos países de origem e exigindo que sejam submetidos a uma prova de capacitação, que na verdade não atesta nada dependendo do tipo de sua formulação e lembrando que também médicos formados no país tiveram reprovação no tal Revalida.

Mas dentro dessa avaliação. Vejo matéria no Correio Braziliense demonstrando o programa de formação de médico nos países de onde vieram em atendimento ao nosso programa.

Na Argentina: Sete anos, sendo um de prática; Cuba e Espanha: seis anos, dos quais três são de prática; Portugal: Oito anos sendo um de prática e no Brasil temos: Seis anos dos quais dois de prática.

Qual a diferença tão desastrosa alardeada?

O que há na realidade, segundo a mesma matéria é o foco adotado. Na Espanha, a medicina familiar é a mais valorizada. Em Cuba há uma faculdade de medicina em uma das 14 províncias da ilha. A crítica é de que há então formação em massa.

O fato é que segundo se noticia a mortalidade infantil na Argentina é de 14 até cinco anos (por mil nascidos); em Cuba é de seis, na Espanha é de quatro em Portugal de três e no Brasil de 16, segundo a mesma proporção.

A expectativa de vida na Argentina é de 72 anos para o homem e 79 para a mulher; Em Cuba de 76 e 80; Espanha 79 e 85; Portugal 77 e 83 e no Brasil 71 e 78.

E agora?

O fato é que antes de se revoltar e praticar atos inaceitáveis para um profissional de nível superior, de se postar nos aeroportos, vestindo o jaleco que sempre foi um indicador de identidade de uma pessoa digna de respeito, para agredir a chegada dos médicos estrangeiros, deveriam pesar e fazer um exame de consciência para a realidade em que vivemos.

E os Conselhos de Medicina, Regional ou Federal, deveria antes de afrontar um Programa que embora lançado pelo governo pertence às comunidades, principalmente as mais carentes, deveriam fiscalizar a atuação de profissionais que são flagrados batendo ponto de frequência nos hospitais e fugindo pelos fundos deixando pacientes nos corredores à mingua de atendimento, apesar de receber no final do mês o salário pago pelo contribuinte. Em Brasília, há uma fila de atendimento de mais de sete meses, até mesmo para cirurgias de emergência, por falta de médicos. E o Presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, demonstrando incapacidade intelectual básica para um portador de diploma de nível superior vem a público falando bobagens como a denuncia por charlatanismo contra os médicos estrangeiros porque estão trabalhando facultados por Medida Provisória “que não vale como lei”. Vai mais longe ainda quando pressiona os profissionais de sua jurisdição a não atender pacientes que tenham tido complicações depois do atendimento por médicos que tenham sido convocados pelo “ Mais médicos”.

Tenho até medo de perguntar a esse cidadão quem foi Hipócrates e ouvir como resposta que “deve ter sido algum zagueiro do Atlético ou do Cruzeiro”.

Não estou em defesa política do governo ou de ninguém.

Estou sim dando vazão à minha perplexidade diante de tanta irresponsabilidade para o trato de questão tão séria.

É isto Mariana!!!

Excelentes as matérias postadas

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