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ETICA PARTIDÁRIA – Ari Cunha (Correio Braziliense 01/03/2017)

Tive oportunidade de postar um artigo, o primeiro de minha série, sob o título de O Poder pelo Poder em que eu quastionava o posicionamento partidário no quadro politico nacional.

Hoje, já passado algum tempo leio excelente texto de Ari Cunha, no Correio Braziliense , em que mostra que nada mudou e que essas agremiações ainda nos devem alguma satisfação.
” CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quarta-feira, 1° de março de 2017 OPINIÃO

Etica partidária

Continuaremos no reino do faz de contas e da fantasia de­mocrática, enquanto não houver uma reforma política séria que, entre outras providências urgentes, elimine a maioria das legendas de aluguel e feche a torneira do dinheiro público pa­ra qualquer atividade partidária, obrigue essas agremiações a se submeterem ao pente fino da Receita Federal.

Argutos conhecedores das brechas e da malemolência das leis, os partidos, logo nos primeiros dias, após o término da ditadura, entraram numa espécie de degeneração ideoló­gica progressiva e acabaram por se transformar no que são hoje: clubes exclusivos, comandados por uma elite de pluto- cratas, disfarçados de lideranças políticas, que se utilizam do chamado presidencialismo de coalizão apenas para ne­gociar posições privilegiadas na máquina do Estado e pas­sam a saquear o erário.

É dessa forma, em poucas linhas, como se processa, por meio dos partidos, a democracia em nosso país. Não é por ou­tra razão que temos convivido, pacífica e historicamente, com um flagrante contraste entre dirigentes cada vez mais ricos e uma população que se arrasta num eterno estado de penúria material. Sintomaticamente, é possível ainda verificar que a grande maioria desses abastados dirigentes políticos amea­lhou verdadeiras fortunas apenas ocupando sucessivamente funções públicas ou a elas designando prepostos. Obviamen­te, a porta que dá acesso a esse mundo fabuloso dos negócios se situa bem no interior das legendas e é franqueada apenas aos seus dirigentes.

Uma análise mais acurada sobre esses prodígios sibaritas e a origem de seus tesouros não resistiría à primeira linha. Dessa forma, não soa estranho que todos os atuais partidos, sem ex­ceção, com assento no Congresso, não tenham punido nem com nota de reprimenda, nem com o afastamento provisório, nenhum de seus integrantes implicados, quer no escândalo do mensalão, quer na Operação Lava-Jato.

Os partidos simplesmente ignoram e relevam as decisões da Justiça, mesmo aqueles casos em que seus filiados estão condenados e presos em cadeias públicas. Como tem sido de­monstrado, ao longo do tempo, por diversos exemplos, a maioria das legendas partidárias considera a desobediência às orientações do partido, relativas às votações de matérias de in­teresse, como crime passível de expulsão. Votar com a cons­ciência e contra questões fechadas pelos dirigentes das legen­das é crime mais gravoso do que desviar recursos públicos. Nesses casos ,a fidelidade partidária acaba por se confundir, de forma perigosa, com aquelas juras de sangue feitas comu- mente entre membros de uma mesma gangue criminosa.”

Será que tem explicação?

2 respostas »

Excelentes as matérias postadas

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